Por que o foco na pecuária industrial é uma estratégia ruim para o veganismo

Crítica pode parecer abstrata e distante da percepção cultural do brasileiro que come carne

Por que o foco na pecuária industrial é uma estratégia ruim para o veganismo

A crítica importada: por que focar na “pecuária industrial” é um erro estratégico?

No Brasil, tem sido cada vez mais comum uma abordagem a partir do movimento vegano em que se critica a pecuária industrial. Essa abordagem é influenciada por uma visão “importada” dos EUA e de alguns países europeus. O problema é que isso, além de ignorar especificidades nacionais, exclui da crítica práticas de exploração e morte de animais que não refletem a pecuária industrial.

Ademais, a pecuária industrial normalmente é associada quase que estritamente ao sistema intensivo, e no Brasil a pecuária bovina opera ainda em um sistema predominantemente extensivo. Claro que animais inseridos nesse sistema também serão confinados ou “semiconfinados” e engordados como parte da etapa chamada de “terminação” – que diz respeito à maximização do ganho de peso que precede o envio para o abate.

Porém, culturalmente a ideia de pecuária industrial no Brasil ainda pode comumente ser vista como uma abstração. Muitos consumidores podem ver o termo como distante, como se não refletisse uma realidade da qual participam, o que é influenciado pela própria relação com o habitus (Bourdieu) de consumir carne, já que a carne em seu modelo tradicional é construída sobre duas imagens no ideário comum brasileiro – o boi no pasto e a carne disponível no açougue.

Esse é um símbolo cultural arraigado, que se conecta a ideias de “naturalidade”. Logo, a ideia do “industrial” pode ser pensada como algo que não diz nada, ou algo que não impacta na conciliação prévia que o consumidor faz entre o animal e a carne. Dessa forma, a pecuária industrial como conceito é reflexo de uma reprodução local de uma ação e estrutura não locais. E por isso na sua construção simbólica ela pode não falar ao consumidor brasileiro para quem o termo “pecuária”, em sua objetividade conceitual, tem um apelo mais inescapável e facilmente identificável e conciliável.

O “industrial” tende a ser pensado em associação com grandes corporações – algo que pode também não ressoar para muitas pessoas para quem comprar carne é um ato praticado em um açougue frequentado “quase que desde sempre”. Esse aspecto do habitus torna o consumo um ato integrado à vida comunitária, distante da crítica a sistemas de produção complexos e distantes.

O problema de combater a estrutura em vez da superestrutura 

Como a carne bovina tende comumente, como parte do habitus, a ser pensada como a “carne por excelência”, isso impacta também em todo um imaginário de consumo que não reduz também a estranheza do termo “pecuária industrial”, mesmo quando se fala em animais que são normalmente mais criados em sistemas intensivos – como frangos e porcos; porque sua criação é invisível, tornando o termo “industrial” também abstrato e menos impactante.

O termo pecuária industrial também é relativista em essência porque, como percebemos a partir dos estudos da hegemonia cultural (Gramsci), em vez de combater a superestrutura (especismo como cultura), se faz um recorte em que o combate se dá num recorte de estrutura (industrial). Isso surge como uma concessão perigosa em que se acredita que é preciso atacar partes específicas “para ter mais impacto”. Isso ignora que tais narrativas, além de se situarem em uma areia movediça, podem ser usadas a favor do especismo, da manutenção do uso de animais como fim no consumo humano – porque isso não ataca o que realmente importa, a superestrutura.

A hegemonia cultural do especismo é mantida por um consenso social amplo de que se alimentar de animais é natural, normal e necessário. Ao atacar apenas sua manifestação vista como mais brutal, a crítica deixa intactos os pilares culturais desse consenso: a tradição, o hábito, a identidade e a naturalização do consumo. Isso cria uma hierarquia ilusória de exploração que permite ao consumidor fazer uma “escolha ética” dentro do mesmo paradigma exploratório (comprar carne “feliz”, orgânica, etc.), tranquilizando sua consciência sem mudar a estrutura de fundo.

Muitas pessoas podem não se conectar ao que é problematizado quando acreditam que o que consomem vem de pequenos produtores, pequenos frigoríficos, pequenos açougues e até mesmo do supermercado frequentado “desde sempre”. A própria ideia de se viver fora de um grande centro urbano favorece ainda mais a ideia da “pecuária industrial” como o estranho do qual não participo.

Ao crer que o produto vem de uma origem mais próxima e “humana”, o consumidor se sente moralmente isento da crítica dirigida a um sistema abstrato e distante (“pecuária industrial”). Isso não apenas protege a prática de consumo individual, mas também blinda o especismo como estrutura cultural, pois desloca o problema para uma esfera (a “industrial”) da qual o indivíduo acredita não fazer parte.

O mito do pasto: a paisagem que esconde o abate

O fato de podermos percorrer longas distâncias fora da área urbana e vermos pastos e animais, não barracões ou plantas industriais onde animais estão confinados, tem um poder estético e simbólico muito forte que impacta na fragilidade de se debruçar sobre a ideia do antagonismo à “pecuária industrial” como símbolo de transformação.

A crítica à “pecuária industrial” evoca imagens mentais de barracões, confinamento e linhas de produção. A paisagem real que se vê ao viajar pelo interior (vastidão, “natureza”, animais aparentemente livres – como ilusões interpretativas) nega visualmente essa associação. O símbolo crítico (“industrial”) não encontra correspondência na experiência sensorial, então parece inválido ou exagerado. Para quem vive ou transita por essas áreas, a evidência ocular (“Vejo com meus próprios olhos que não é industrial”) tem um peso retórico enorme. Ela supera qualquer dado estatístico ou denúncia sobre a fase de confinamento final, que ocorre em locais geralmente fora da vista do público.

No Brasil, isso tem uma carga simbólica diferente do que se vê, por exemplo, nos EUA, com as chamadas “factory farms” ou concentrated animal feeding operations (CAFOs). Isso quer dizer também que o foco na “pecuária industrial”, ainda que cresça no Brasil e tenha aqui seus próprios impactos, tende a ressoar menos do que onde o próprio consumidor pode testemunhar como o dominante também visualmente da sua realidade de consumo.

Mesmo com bilhões de animais sendo criados hoje no Brasil no sistema intensivo, principalmente frangos e porcos, eles não são dominantes na paisagem rural brasileira. E a construção do que é a pecuária no ideário dominante brasileiro é inescapável também da percepção sobre o ambiente rural – que é sempre pensado como o ambiente da “criação animal”. O que se vê ao percorrer as estradas do interior brasileiro não são “feedlots” ou granjas industriais massivas, mas sim vasta extensão de terra e animais distribuídos. Essa paisagem não é neutra; ela comunica uma série de valores que são internalizados pelo habitus.

Quem de nós nunca se surpreendeu ao perceber como grandes áreas podem ser ocupadas até por uma quantidade que pareça pequena de bovinos em comparação ao tamanho de uma propriedade? Essa distribuição, que pode ser até de um animal por hectare (ou mais), é um poderoso componente simbólico da naturalização da pecuária e do fortalecimento estético de uma ideia de não relação com um “viver industrial”. Isso constrói sua própria narrativa visual que entra em conflito com a atenção à estrutura (industrial) em vez da superestrutura (especismo).

O hábito deve ser superado ou reformado?

Questionar o habitus também pode mais facilmente levar pessoas não a abdicarem de um hábito, mas o reformarem; e é isso que podemos também oferecer com o foco na “pecuária industrial”. Logo, isso foge da guerra de posição pela mudança da hegemonia cultural, porque se permite que as pessoas busquem suas alternativas dentro desse sistema – como “o consumo que vem de um outro tipo de produção animal”. Ao fazer um “recorte na estrutura”, a crítica à pecuária industrial aceita as premissas do jogo hegemônico. A disputa deixa de ser sobre se devemos explorar animais e passa a ser sobre como devemos explorá-los. E isso pode ocorrer mesmo quando a intenção é oposta.

A crítica que prioriza o modelo intensivo de confinamento total falha em capturar a totalidade do sofrimento animal no sistema híbrido brasileiro. Animais criados extensivamente também passam por situações estressantes (como desmame, castração, mutilações, transporte para o mataduro) e, quase invariavelmente, por uma fase de confinamento antes do abate.

Já o “industrial” para frangos e suínos é menos “estranho” porque é invisível. Ele não confronta uma imagem cultural arraigada (como o pasto), simplesmente porque essa imagem nunca foi construída para essas espécies no imaginário popular. A crítica à pecuária industrial, quando focada no modelo intensivo estrangeiro, falha em alcançar essa dissociação ainda mais profunda.

Além disso, a força do hábito cultural em torno da carne bovina faz com que a realidade brutal dos sistemas intensivos para outras espécies seja facilmente ofuscada ou aceita como um dado normal da produção de alimentos. Esse é um ponto em que a linguagem evoca os limites do uso do termo “pecuária industrial”. E ao naturalizarmos esse termo como “onde se dá a disputa por uma nova hegemonia” (para nos valermos de Gramsci), a falha está em ignorar que no Brasil a pecuária é pensada mais como pecuária do que como pecuária industrial. E mesmo que a pecuária industrial esteja em expansão, favorecemos menos uma reflexão quando recorremos à sua condição abstrata do que quando falamos objetivamente de pecuária – que prescinde de complemento para ser questionada.

É mais adequado falar em “pecuária” do que em “pecuária industrial” 

Enfim, a imagem do “gado no pasto” é central para o habitus do consumo de carne e define a percepção pública sobre a origem da carne bovina, mesmo com as fases de confinamento final. Diferente de “pecuária industrial”, que pode soar como uma abstração corporativa, “pecuária” é um termo objetivo e universal. É a atividade de criação de animais para produção de alimentos, sem conotações específicas de escala ou modelo. O termo “pecuária industrial” pode ser facilmente neutralizado pelo poder cultural do habitus hegemônico (especista). Em contrapartida, o termo “pecuária” é direto, preciso e descreve a realidade que precisa ser discutida em sua totalidade. A eficácia do questionamento está justamente em não aceitar a divisão entre “pecuária boa” (extensiva/pastoreio) e “pecuária ruim” (industrial), mas em colocar em xeque a atividade em si.

Optar pela crítica à “pecuária industrial” em detrimento da “pecuária” é, portanto, escolher deliberadamente o caminho mais difícil e menos eficaz na disputa pela superestrutura. É disputar um terreno parcial (uma estrutura produtiva) em vez do todo (a norma cultural do especismo). É depender de conexões cognitivas complexas que as pessoas podem fazer até menos do que se simplificássemos para a “pecuária”. É lidar com antagonismos da realidade das práticas materiais e visuais – o que se vê, o que se compra, de onde se compra. No livro “Uma Exposição”, a escritora Ieda Magri traz o exemplo de sua família, para quem o consumo de carne é baseado em escolher o boi que será morto. Ele é abatido, descarnado e sua carne é consumida por meses. Cito esse exemplo porque ele opera fora da esfera da crítica limitante em que se pode criar uma ideia de que devemos questionar o como e não a ação.

Semioticamente também há uma vinculação de “pecuária industrial” com grandes corporações, com quem acreditamos não ter nenhum tipo de relação quando se trata de um pedaço de carne no prato que não foi transformado em um produto ultraprocessado embalado e com longo prazo de validade. Essa é outra camada de significado problemática e em que a questão a ser pensada não é o que é certo e errado sobre isso, mas a potência que isso tem no ideário de muitas pessoas – e que pode resultar na ideia de que falam de algo de que não participo.

Essa oposição semiótica cria uma fenda simbólica na mente do consumidor. Ele não se vê como parte da cadeia da “pecuária industrial” porque o signo final do produto que ele compra (a carne no açougue) não carrega os signos negativos do “industrial” (a embalagem plástica, a marca corporativa, a lista de aditivos). Algo como: “Eles estão falando da carne de supermercado, dos nuggets, das salsichas embaladas. A minha carne, que eu escolhi no açougue do Seu João, vem de um produtor local, é fresca e natural. Portanto, essa crítica não se aplica a mim.” Essa não é uma racionalização desonesta; é a lógica interna do próprio signo. A crítica falha porque ataca um símbolo (“o industrial”) que o consumidor já rejeitou em sua prática de consumo cotidiana. O habitus já providenciou a solução simbólica: consumir carne de um modo que a desvincula semanticamente do sistema industrial que se critica.

Um reflexo do ativismo importado e a falta de mediações  

Infelizmente, isso também é um reflexo do ativismo importado, em que as especificidades são apagadas para reproduzir um pensar que sequer foi mediado. Essa falta de mediação, ou seja, a ausência de uma tradução cultural da crítica, faz com que a mensagem não “encoste” na experiência das pessoas. Ela se torna um discurso flutuante, desconectado do chão simbólico onde o consumo de carne está arraigado. Portanto, o erro do ativismo não mediado é duplo. Ao nos valermos da teoria das mediações de Martín-Barbero, podemos perceber que esse ativismo ignora os filtros culturais que tornam sua mensagem inócua. Ao fazer isso, podemos concluir a partir dos estudos de Canclini sobre consumo e cidadania que se falha em reconhecer o significado profundo que o ato de consumo tem para as pessoas e que passa também pela própria percepção do que é a “pecuária”.

O ativismo brasileiro precisa ser pensado de forma mais local em vez de ter uma relação de dependência acrítica com o ativismo estrangeiro, onde padrões são definidos e imitados – e assim também, limitados. E o que torna impossível não reconhecer que isso é parte de sua ineficácia é que não há menos animais sendo explorados e mortos no Brasil, e sim mais. Analisando diferentes abordagens do veganismo no Brasil, percebemos que mesmo vertentes que têm suas diferenças incorrem no mesmo problema.

Quando consideram a abordagem da crítica à pecuária industrial, o fazem por influência externa (internacional) e podem falhar em construir uma narrativa que toque diretamente no que mais gera identificação. Mas isso não é sobre descartar e sim sobre mediar. Se de um lado, foca-se nisso sob a justificativa de “concessões que levem a resultados práticos”, por outro lado, há uma defesa anticapitalista, de quem antagoniza a abordagem pragmática, que pode centralizar o debate na oposição às grandes corporações enquanto se ignora a dimensão cultural dessa relação de produção e consumo – que envolve também pequenos produtores, a criação doméstica de animais para consumo próprio e a agricultura familiar.

As duas, portanto, quando centram o debate na estrutura de produção (industrial vs. não industrial), falham em atacar a superestrutura cultural que normaliza e naturaliza o especismo; ou seja, a própria ideia de que animais podem ser usados como recursos, independentemente da escala ou da estética que cerca sua criação. Esse foco parcial não apenas reforça o habitus hegemônico (especista), ancorado na imagem pastoral do gado, mas também permite que o consumidor se dissocie da crítica, acreditando que seu consumo, por não ser “industrial”, está isento de problemas éticos. O resultado é a perpetuação de uma lógica de exploração que se adapta e se renova, seja por meio de nichos de mercado ilusoriamente “éticos” ou da romantização de sistemas produtivos alternativos. Afinal, como apontei antes, há mais animais morrendo, não menos.

Uma observação final sobre a falha do combate à “pecuária industrial” em vez da “pecuária”

Ademais, ao usar o termo “pecuária industrial”, há também um movimento de fuga – de não bater de frente com a pecuária, mas somente com sua “versão industrializada”. Isso tem gerado consequências impensadas, como a ideia de que a crítica deve se concentrar em grandes frigoríficos e corporações (como vemos frequentemente no ativismo vegano), os quais, na verdade, ocupam a ponta final da cadeia, não a sua base. Essa posição é sustentada majoritariamente por pecuaristas; muitos, quando se trata de bovinos, ainda atuando no regime “extensivo”. Concentrar a atenção no matadouro, portanto, é como atacar a fumaça e esquecer do fogo. É um reducionismo que performaticamente ignora a complexa rede de atores que alimenta e legitima essa realidade – incluindo o próprio consumidor, sem o qual nada disso existiria e para quem o foco na “pecuária” pode ter um impacto que o foco na “pecuária industrial” não tem.

Por fim, o foco na “pecuária industrial” revela-se uma estratégia não apenas incompleta e de alcance limitado. E hoje, como reação a isso, se explora avidamente a contranarrativa da “pecuária sustentável”, “regenerativa” ou “de bem-estar”. Essas não são derrotas do modelo, mas sua vitória tática: transformam uma crítica ética radical em um problema técnico, com soluções de mercado que permitem ao consumidor pagar mais pela ilusão de uma consciência tranquila. Enquanto a questão for “como criar e matar animais”, o especismo sempre terá uma resposta – um novo selo, uma nova certificação, uma nova roupagem verde. A única problematização que não admite contranarrativas palatáveis é aquela que, ao nomear simplesmente a pecuária, questiona a premissa fundamental: “Por que criar e matar animais?” Esse é o terreno incontestável. Qualquer fuga para o adjetivo “industrial” é, no cenário atual, uma rendição discursiva que garante a perpetuação do hábito que se deseja erradicar.

Essa segmentação entre “industrial” e “não industrial” não é apenas uma falha analítica, mas um erro tático de comunicação. Ao empregar com o público geral um discurso originalmente desenhado para pressionar corporações, o movimento oferece ao consumidor uma rota de fuga moral. A pessoa que compra carne “do Seu João” ou que vê a pecuária industrial como uma “estranha” se sente imune à crítica, que passa a ser vista como um problema dos outros ou que envolve “grandes marcas”. Isso fortalece a barreira cultural que precisamos derrubar. A verdadeira disputa pela hegemonia exige que coloquemos em questão a premissa universal da pecuária, e não apenas seu modelo considerado mais visivelmente cruel. Do contrário, o especismo persistirá intocado.

Também podemos conectar o eixo e conclusão desta publicação ao artigo “Um movimento vegano que não impacta na exploração animal não cumpre o seu papel“, em que o ponto de partida é o fato de que há cada vez mais animais sendo mortos, não menos.

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Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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