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Grupos da USP e Universidade de Lisboa iniciam 3° ciclo de encontros sobre filosofia animal

“Suas reflexões convocam a pensar o reconhecimento dos animais como alteridades significativas fundantes para o vir-a-ser” (Imagem: Fabrizio Terranova)

No dia 13, às 9h30, terá início o 3º Ciclo de Encontros do Grupo de Leitura Filosofia Animal, do grupo Praxis, do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, e grupo de ética e direitos animais do Diversitas – Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP).

Com o tema “Espécies Companheiras – Leituras de Donna Haraway”, o ciclo, que ocorre de forma on-line e com encontros às quartas-feiras via plataforma zoom, vai até o dia 15 de junho.

“A atividade é aberta, mas é necessário realizar inscrição. Teremos dez encontros e serão emitidos certificados de participação a partir de 75% de frequência. Para o encerramento do ciclo, será realizado um colóquio”, explica uma das organizadoras, Luanda Francine, do Diversitas.

Sobre a importância das discussões sobre o trabalho de Donna Haraway no campo dos estudos animais, Luanda explica que a filósofa, socióloga e doutora em biologia desenvolveu a sua filosofia acerca de relações com animais em várias publicações, destacando-se as obras “The companion species manifesto: dogs, people, and significant otherness” (2003) e “When Species Meet” (2007).

“Suas reflexões convocam a pensar o reconhecimento dos animais como alteridades significativas fundantes para o vir-a-ser, a dissolução do antagonismo entre natureza e cultura, a admissão de diferentes modalidades de parentescos a partir da percepção de que somos compostos por vários outros, onde todos são participantes e remodelados uns com os outros”, destaca.

“Sua ênfase no ser-com, nas relações específicas e mortais historicamente situadas, conduzem por sua vez, a problemas que devem ser sustentados e não mitigados com respostas rápidas e confortantes, sobre as domesticações, o desenvolvimento de éticas interespécies e a necessidade de ‘aprender como herdar histórias difíceis para moldar futuros multiespécies mais vigorosos’.”

Luanda Francine também informa que será dada ênfase à leitura e discussão conjunta do capítulo “Introductions”, de “When Species Meet”, onde Haraway também tece diálogos com as posições de Jacques Derrida em “O animal que logo sou” e de Deleuze e Guattari, com o conceito do “devir-com” – conteúdos trabalhados em ciclos de leituras anteriores.

“Usaremos a versão em espanhol – ‘Cuando las espécies se encuentram: introducciones’ publicada pela revista Tabula Rasa (disponível aqui). Também nos encarregaremos de discutir ‘O manifesto das espécies companheiras: cachorros, pessoas e alteridade significativa”, recentemente publicado em português (2021).”

A programação inicial será enviada por e-mail. Inscreva-se pelo formulário: bit.ly/especiescompanheiras

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David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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