Não parou de comer animais porque perdeu a vontade de comê-los. Mais fácil seria se não gostasse, se a vontade tivesse ido embora para sempre. Não foi o que aconteceu.
Não mesmo. Não sentiu repulsa ao olhar um pedaço de carne pronto para ser mastigado. O que o impede então? Implicação. Sim, resumiu com uma palavra. Não vê nobreza em não comer animais. Porque não é sobre isso.
Apenas entendi que quem não é o que. Por que comer? Viajando por áreas rurais da região implementando sistemas de segurança, costuma olhar aquelas criaturas aos montes e pensa em quem já não está aqui.
Logo mais nenhuma, porque é assim, piscar e matar. Haverá reposição e mais destruição, e todos, hoje, amanhã ou logo depois, a sentirão e quem não está do lado de lá insistirá no não. Cada animal é vítima de um martelo da obliteração, também identificado como imperativo humano – no sentido mais cesarista.
Assim esmagamos vontades, identidades, necessidades. O que é isso? Parte de um chamado processo natural da nossa realidade. Quantos engodos para justificar arbitrariedade.
E quem dirá que é? Em que proporção? Animais no pasto, em pocilgas, engaiolados e confinados não crescem. Eles encolhem, diminuem. Sim, é o que vejo e já não deixo de ver. Vão se afundando e vamos ignorando. Não vemos porque não queremos, foi o que disse.
Assim, aproximam-se de um sepultamento que nunca existirá. Terão sido submetidos a quantas supressões e violações? Do nascimento ao esgotamento. Por que não chamá-las de marteladas? Olharão para o produto, não para a criatura, e verão desenvolvimento, não apoucamento. Quando estiver pronto estará menor do que nunca. Quem reconhecerá?
Voltou para casa observando o desaparecimento dos animais, um esvaziamento coletivo de existências. O que posso dizer? Quem engana-se pelo prazer de fora não vê como está por dentro. Quem sabe um dia…
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