Opinião

E se fôssemos explorados e impossibilitados de reclamar?

Costumamos equacionar apenas os prós que nos tocam, mas não os contras que aos outros derrotam (Foto: HSI)

Imagine se você fosse incapaz de se comunicar ao ser subjugado por algum ser de outra espécie. Não há o que fazer, a não ser torcer por um mínimo de compaixão.

Mas essa compaixão inexiste porque a espécie que o domina é incapaz de vê-lo como alguém digno do direito à vida. Você é somente um produto e nada mais que isso.

Ainda assim, ser uma antítese ou um contraponto à zona de conforto das pessoas é sempre válido, porque é um exercício de chamamento para a mudança.

Esse chamamento pode despertar evocações, emoções e sentimentos inesperados e mesmo negativos em quem não está aberto ao diálogo e menos ainda a mudar a sua perspectiva em relação ao direito à vida não humana. O que não significa que não possa se tornar algo positivo no futuro.

A ideia de um novo universo de possibilidades, de se abrir para um novo mundo, é chocante para tanta gente. Porque como seres humanos temos uma tendência a defender hábitos e costumes mesmo quando deletérios, nocivos:

“Se significa vidas que findam, que assim seja, desde que eu me satisfaça”, diriam alguns ou muitos. Isto porque costumamos equacionar apenas os prós que nos tocam, mas não os contras que aos outros derrotam.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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