Destaques

Jane Goodall será premiada por seu trabalho em benefício dos animais

Trabalho de Jane Goodall visando mudar nossa percepção sobre os animais teve início há 60 anos (Foto: Instituto Jane Goodall)

No dia 10 de junho, a primatologista britânica Jane Goodall será premiada pela organização Mercy For Animals (MFA) por seu trabalho em benefício dos animais ao longo de 60 anos.

A cerimônia virtual Hope Gala terá como anfitriã a atriz e influenciadora digital Tabitha Brown e contará com a participação do ator Joaquin Phoenix e das atrizes Rooney Mara e Pérola Faria.

Aos 87 anos, Jane Goodall tem seu nome bastante associado aos estudos sobre primatas, trabalho que contribuiu para um importante reconhecimento da inteligência e capacidade social não humana, e de como há animais que carregam semelhanças conosco.

Ela também fortaleceu a defesa da importância de incluir outras espécies em nosso círculo moral, estendendo consideração também àqueles que reduzimos a alimentos e outros produtos.

Essa percepção teve início em 1968, quando a primatologista abdicou do consumo de carne após olhar para a costeleta de porco em seu prato e concluir:  “Isso representa, medo, dor e morte”, conforme publicado em seu próprio site.

Para Goodall, não há como nos alimentarmos de animais a partir do momento que os reconhecemos como indivíduos.

“Se apenas parássemos de comer toda essa carne”

Seu olhar diferenciado sobre os animais influenciou a filósofa moral britânica Mary Midgley, que dedicou muitos anos e diversas obras aos estudos da ética animal. Por meio do seu instituto fundado em 1977, Jane Goodall tem feito com que suas ações em benefício do meio ambiente e dos animais tenham um alcance global.

Hoje, ela usa sua influência e recursos para motivar os jovens a trilharem esse caminho de respeito ao que também não é humano.

“É nosso desrespeito à natureza e aos animais com os quais devemos compartilhar o planeta que causou essa pandemia. Isso foi previsto há muito tempo”, disse durante conferência de lançamento do seu novo documentário em 2020, acrescentando que as civilizações modernas criaram ambientes onde diversos tipos de vírus podem se espalhar com facilidade.

Em conferência realizada pela organização jornalística National Press Clubb (NPC), ela disse em 2020 que devemos repensar nossa alimentação. “Se apenas parássemos de comer toda essa carne a diferença seria enorme porque há todos esses bilhões de animais de fazenda…mantidos em campos de concentração para nos alimentar, e, você sabe, áreas naturais são devastadas para cultivar grãos para alimentá-los.”

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Visualizar comentários

  • Importante que o mundo reconheça e valorize seu inestimável trabalho, sua incansável dedicação ao ideal que a distinguiu, no entanto seu maior prêmio é ser quem é.

Posts Recentes

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

4 semanas ago

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal?

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal? Há…

1 mês ago

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos?

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos? Em 2024, o Brasil bateu…

1 mês ago

O consumo humano transforma animais em prisioneiros de seus próprios corpos

A prisão é o corpo: além do matadouro O consumo humano transforma animais em prisioneiros…

2 meses ago

Animais, pela ética do amor ou do cuidado?

Amor ou justiça: por que a ética do cuidado é mais eficaz A premissa de…

2 meses ago

Por que não é uma boa ideia usar o termo “feito de plantas”

Pode parecer coerente usar o termo “feito de plantas” em relação a alimentos ou pratos…

2 meses ago