Opinião

Lasier Martins comemora apoio para ampliar abate de caprinos

Há quanto tempo os carneiros não morrem de velhice? O senador Lasier Martins parece não se importar (Fotos: Site Lasier Martins/Tras Los Muros)

A Comissão da Reforma Agrária (CRA) do Senado aprovou ontem relatório do senador Lasier Martins (Pode-RS), que institui a política nacional de incentivo à produção de carne, lã, couro, leite e outros derivados de cabras, cabritos, carneiros e ovelhas, conforme defendido pelo Projeto de Lei da Câmara (PLC) 107/2018, de autoria do deputado Afonso Hamm (PP-RS). Lasier Martins comemorou o resultado em seu site e em suas páginas nas mídias sociais.

Os caprinos são animais que podem viver por até 18 anos, mas na agropecuária são mortos com idade de quatro meses e peso vivo de 20 quilos. Já os ovinos, principalmente da raça dorper, que estão em expansão no Brasil e são abatidos com cerca de 100 dias e 36 quilos, podem viver por pelo menos 12 anos.

Além disso, o consumo de produtos provenientes da caprinocultura e ovinocultura no Brasil é considerado baixo, o que já seria suficiente para reforçar qualquer desestimulo à atividade. Afinal, o que deve prevalecer é o interesse da maioria, e esse consumo não faz parte dos hábitos da maioria dos brasileiros.

Mesmo com o baixo consumo, a expectativa de vida dos cordeiros caiu ainda mais nos últimos dez anos no Brasil. O animal que já era abatido de forma precoce com idade de cinco a seis meses, atualmente é morto com três meses.

O que mudou é que hoje o padrão é criá-lo regime mais intensivo, o que significa mais privação e mais condicionamento nutricional visando ampliação de peso em menor período de tempo.

“Os carneiros bebem moderadamente, depois começam a pastar tranquilamente, parecidos um com o outro no tamanho, nas cores, até nos movimentos. Gêmeos, com toda certeza, destinados desde o nascimento à faca do açougueiro. Bom, nada de mais nisso. Há quanto tempo os carneiros não morrem de velhice?”, escreveu o escritor sul-africano J.M. Coetzee, Prêmio Nobel de Literatura em 2003, no livro “Desonra”, de 1999.

Saiba Mais

O Projeto de Lei da Câmara (PLC) 107/2018 agora segue para apreciação do plenário.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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