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Laudo comprova maus-tratos a animais em rodeio em Morungaba (SP)

Um laudo elaborado pelas médicas veterinárias Márcia de Sousa Carvalho e Maria Eugenia Carretero e divulgado esta semana sobre o estado dos animais que participaram do Morungaba Rodeo Fest 2022, em Morungaba (SP), comprovou que houve maus-tratos durante o evento, além de descumprimento de liminar que proibia o uso de instrumentos considerados nocivos. O laudo foi elaborado com autorização da juíza Renata Heloísa da Silva Salles, da comarca de Itatiba.

“As médicas veterinárias Maria Eugenia Carretero, mestre e doutora em patologia animal, perita judicial, e Márcia de Sousa Carvalho concluem que os animais estavam em condições de estresse físico e emocional grave associado à presença de instrumentos usados para golpear os animais. E há evidência de golpes sem instrumentos culminando em maus-tratos físicos e emocionais irreparáveis à espécie”, consta no documento.

“A impossibilidade de avaliação clínica não permitiu estimar a porcentagem de animais que serão acometidos pela ‘doença da segunda-feira’ secundária à lesão muscular e renal devido à exaustão de exercício físico dos ruminantes e equinos que pode ser fatal. A impossibilidade de avaliação clínica não permitiu estimar a porcentagem dos ruminantes que desenvolverão meteorismo e consequente morte.”

Também não foi possível estimar a porcentagem de ruminantes que desenvolverão hematomas e necrose tecidual pelos sedéns e cordas americanas.

“[Constatamos] presença de animais com lesões em sangramento ativo sem atendimento veterinário e expostos em novas provas, assim como ausência de água, comida, áreas de descanso e proteção às intempéries durante as provas.

O laudo de 46 páginas é acompanhado de muitas fotos registradas pela médica veterinária Márcia de Sousa Carvalho.

Entre os inúmeros problemas identificados nos animais, é citado também no documento um novilho com lesões contusas ulceradas, sanguinolenta e multifocal em face, que foi ferido em prova devido ao golpe do laço em alta velocidade. O mesmo novilho machucado foi usado mais de uma vez para realização das provas.

“Existem instrumentos em equinos e ruminantes que foi comprovado cientificamente que causam desconforto e estresse emocional, pois entende-se que afetam diretamente os padrões fisiológicos reduzindo a expectativa e a qualidade de vida. São: freios, bridões, esporas, chicotes, gamarras, martingales, hackamores, sedéns, laços e cordas americanas.”

Há liminar para o não uso dos instrumentos de maus tratos durante o evento. No entanto, a veterinária testemunhou o uso de gamarras, martingales, hackamores, freios, bridões, esporas e chicotes. Ou seja, tudo que não deveria ser utilizado pelo mal gerado aos animais.

Sobre as provas de laço realizadas durante o evento, é feita uma observação:

“A tração em direções opostas causa lesões articulares, tendíneas, musculares e ósseas lacerativas e contusas que podem não ter tratamento clínico cirúrgico para alívio de dor com consequente opção a eutanásia.”

Márcia também revelou que encontraram carneiros já exaustos, incapazes de manterem-se de pé, sendo montados por crianças. A veterinária registrou imagens anexadas ao laudo que comprovam isso.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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