Categorias: LiteraturaNotícias

Livro que discute um mundo sem consumo de carne chega ao Brasil

O consumo de carne no mundo está diminuindo e isso não é consequência apenas de uma questão financeira, mas também de uma mudança profunda nos hábitos que envolvem mais que alimentação.

Na década de 1990, por exemplo, havia no mundo apenas cerca de um milhão de pessoas que não consumiam carne e laticínios nem usavam produtos de origem animal. Assim como hoje, a decisão delas estava alinhada ao combate à exploração animal, além do alerta sobre as consequências para todo o ecossistema e para o próprio organismo humano.

Em 2015, esse número centuplicou e hoje se fala de pelo menos 750 milhões de indivíduos que não consomem nada de origem animal. É esse cenário de transformação e conscientização que inspirou a antropóloga Roanne Van Voorst a escrever “O futuro da comida: Já imaginou um mundo sem consumo de carne?, publicado no Brasil pela Editora Nacional.

Segundo a autora, a “era atual ficará marcada na história pelas imensas transformações sociais, econômicas e culturais que estão se desdobrando no exato momento em que você lê este livro. Não há lugar no mundo que não esteja passando por tais transformações, e não demorará até que você seja tragado por elas, que se materializarão nos objetos que consumir, no trabalho que exercer, na maneira como educar seus filhos, em seus próprios pensamentos e sentimentos tal como eles se manifestarão — e, neste estágio, a sensação será de que nunca existiu uma realidade diferente”.

A autora aborda diversas ações de conscientização pelo mundo sobre o uso de animais para fins de consumo, como é o caso de Gante, na Bélgica, que se tornou a primeira cidade europeia a promover um dia sem carne nas escolas e demais instituições públicas.

Por essas e outras razões, ela explica como os especialistas estão enxergando na redução do consumo de proteínas de origem animal uma das únicas maneiras de reverter o aquecimento global.

A obra nasce de profunda pesquisa acadêmica e traduz de forma bem-humorada as informações que surgem dessa reflexão e como em breve o assunto estará cada vez mais em alta diante da necessidade de preservação da natureza.

A apresentadora e ativista vegana Alana Rox assina o prefácio brasileiro, em que destaca: “Van Voorst não mostra apenas como seria um mundo mais amistoso para os animais e seus impactos positivos sobre o meio ambiente, mas também as consequências e impactos na economia, no clima, na saúde das pessoas e na cultura mundial, por meio da popularização de um modo de vida à base de plantas.”

Saiba Mais

O livro “O futuro da comida” está disponível em pré-venda nas principais livrarias do país por R$ 59,90.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

O bezerro no prato e o som de tripa de carneiro

Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…

4 dias ago

O abate que (quase todos) ignoram

No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…

2 semanas ago

Uma reflexão sobre a violência por trás do leite

No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…

3 semanas ago

Por que ser cruel com os animais?

Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…

4 semanas ago

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

1 mês ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

2 meses ago