Há muitas pessoas que resistem à conclusão de que montar em animais é exercer domínio sobre eles. No entanto é inegável que montar em animais ratifica um exercício de domínio, já que trata-se de um animal sobre o outro e condicionando esse animal – quem está em cima controla e quem está embaixo é controlado.
Sim, a situação pode explicitar também outra realidade (como no subverter provisório do controle, e que se surge não é pela determinação humana), mas não afasta o imperativo de quem controla e quem é controlado.
Como enxergar a horizontalização que muitas pessoas alegam existir na montaria, se a própria visualidade disso, e o que se usa sobre um animal para garantir que nada “saia de controle” e/ou assegurar “obediência”, ratifica o tempo todo o que é domínio e controle?
Não existe, por exemplo, tal coisa como montar em um animal para nenhum fim humano, porque se monta-se no animal é para um fim antes já pensado e determinado. A ideia de “companheirismo”, de “cumplicidade” e de “troca” que muitos humanos usam na validação desse tipo de prática é fundamentada no interesse determinado sobre o animal a ser montado.
É mais uma confirmação da ausência de horizontalidade de interesses. Alguns podem alegar que o animal “aceitar” é o animal concordar, mas existe natural aceitação? Sem a imposição e o condicionamento, que é também inerente ao doméstico (resultante da domesticação), isso seria possível?
Mesmo que uma pessoa alegue que não há violência nessa prática (o que se entende por violência?), isso não afasta a conclusão de controle e domínio. Se humanos não tivessem decidido usar animais na primariedade de interesses humanos, animais não teriam sido usados também para montaria.
Cavalos selvagens e asselvajados, por exemplo, rejeitam a montaria. Então onde há nisso o que é natural ou imanente sobre a montaria? Se mesmo o retorno a um estado antagônico ao doméstico é a rejeição à montaria. Não existe animal que sem condicionamento e doma permita montaria.
Enfim, é fácil, porém equivocado, dizer que um animal nasce para uma finalidade quando ignora-se que a finalidade não é inerente ao animal, porque não surge naturalmente com ele.
Leia também “Por que montar em cavalos?“, “É admirável o domínio sobre um animal vulnerável?” e “Como o condicionamento ajuda a perpetuar a exploração animal“.
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