Na semana passada, um elefante caiu a poucos centímetros da plateia durante apresentação do Circus Krone, de Munique, em Osnabrück, na Alemanha. No vídeo, disponibilizado pelo portal de notícias Neue Oz no YouTube, é possível ver o exato momento em que o animal se desequilibra e vai ao chão.
Ninguém ficou seriamente ferido, mas a perna do elefante Tompteusen ficou inchada e um homem sofreu alguns cortes na perna. O chamado incidente pode ser qualificado como bastante problemático, considerando que no mundo todo cresce a oposição ao uso de animais em circos, inclusive com o surgimento de um santuário para elefantes na França.
A justificativa para a oposição é bem simples – animais são tirados precocemente de seu habitat e do convívio familiar para serem usados como meio de entretenimento e lucro. Esse é exatamente o caso de Tompteusen e da sua companheira, a elefanta Kenia, que no mês passado, ansiando pela liberdade, fugiu do Circus Krone e foi encontrada vagando pelas ruas.
Não é nenhuma novidade que muitos animais nesse meio acumulam traumas em decorrência da privação, ausência de contato familiar e treinamento severo. Até hoje, um dos exemplos mais emblemáticos das consequências da má intervenção humana na vida de animais selvagens usados em circos é o da elefanta africana Tyke, que em 1994 se revoltou com o seu treinador e o matou pisoteado durante um espetáculo.
Abalada emocionalmente, a elefanta, que vivia situações diárias de estresse extremo, fugiu pelas ruas de Honolulu, no Havaí, onde acabou morta no centro da cidade com 87 tiros. Quando se aproximaram de Tyke, antes do suspiro final, ainda havia lágrimas em seus olhos. A sua história é contada na íntegra no documentário “Tyke Elephant Outlaw”, de Susan Lambert e Stefan Moore, lançado em 2015, que discute a ignorância, os abusos e os riscos de se levar um animal selvagem para viver uma realidade que não condiz com a sua natureza.
Na Alemanha, a proibição de circos com animais é parcial, assim como no Brasil, onde por enquanto apenas 13 estados, ou seja, a metade, não permitem o uso de animais em circos. O Reino Unido, que é uma referência em direitos animais, deve banir completamente o uso de animais em circos só em 2020.
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