O Observatório do Clima comunicou ontem (31) que Luiz Inácio Lula da Silva está bem posicionado para implementar a virada socioambiental de que o país precisa a partir de janeiro de 2023, e atribui isso também à agenda ambiental que Lula adotou por meio da ex-ministra Marina Silva.
“Propostas da sociedade civil, como a estratégia Brasil 2045, do Observatório do Clima, com a lista de ações emergenciais para os dois primeiros anos de governo, também foram acolhidas. Lula não se furtou a fazer discursos fortes e promessas ambiciosas sobre o tema na campanha. É hora de cumpri-las”, frisa.
O OC reivindica um outro olhar governamental sobre a crise climática. “É, antes de qualquer coisa, um problema social. Os eventos extremos fazem vítimas principalmente entre os mais vulneráveis. As mudanças climáticas são uma fábrica de gerar desigualdade e pobreza”, alerta.
“É importante que o novo governo já comece a usar o poder político conquistado nas urnas para impedir a aprovação das aberrações que estão nas mãos dos deputados e senadores. Caso os projetos de lei antiambientais conhecidos como ‘pacote da destruição’ sejam aprovados, qualquer esforço para diminuir o desmatamento a partir de 2023 ficará muito mais difícil.”
Para o Observatório do Clima, Lula tem o compromisso de superar as medidas que levaram à queda da taxa de desmatamento entre 2005 e 2012. “Como desenvolvimentista que no passado cedeu ao canto de sereia do petróleo e da infraestrutura predatória na Amazônia, precisará praticar um novo modelo de desenvolvimento, que enxergue a questão climática e o patrimônio ambiental brasileiro como oportunidades de alavancar o crescimento econômico e diminuir desigualdades.”
Lula também precisa garantir o aumento da ambição brasileira no Acordo de Paris, já que o Brasil hoje é um dos seis maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo.
“Estaremos sempre prontos a exercer nosso papel de criticar e pressionar o governo quando e onde isso se fizer preciso. O contraditório, componente essencial da democracia, é crucial também para o avanço da agenda climática. Há 20 anos o Observatório do Clima monitora as políticas federais sobre o tema e frequentemente incomoda os governos. Seguiremos nesta linha, pautados sempre pelo avanço da agenda, ancorados na Constituição e no Acordo de Paris.”
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