Sob liderança de Arthur Lira (PP-AL), a Câmara dos Deputados aprovou esta semana, por 296 votos a 196, o substitutivo do deputado Bosco Saraiva (SDD-AM) ao PL 2633/2020, o que permite que médias propriedades rurais, de até 600 hectares, possam ser tituladas sem vistoria na Amazônia.
Segundo o Observatório do Clima, com isso, a Câmara anistia a grilagem de terras no Brasil sob pretexto de fazer “regularização fundiária”. “Embora em um dos seus artigos ele fixe em 2008 o prazo-limite para titular ocupações irregulares, em outro ele abre a possibilidade de uma anistia eterna à grilagem”, observa a entidade.
“Seu artigo 38 prevê que áreas que não possam ser regularizadas pelos critérios da lei 11952/2009 poderão ser colocadas à venda por licitação, cujas regras serão definidas por decreto do presidente – no caso, Jair Bolsonaro. Isso possibilitará, por exemplo, legalizar áreas invadidas e desmatadas a qualquer momento, mesmo depois do marco temporal previsto na lei.”
O OC avalia que a matéria, de interesse do governo federal, tende a turbinar a atual corrida às terras públicas na Amazônia, que há dois anos sofre com taxas de desmatamento superiores a 10 mil quilômetros quadrados (as maiores desde 2008), cifra que poderá se repetir em 2021. A ocupação ilegal de terras públicas é o principal motor do desmatamento na Amazônia respondendo por mais de um terço da devastação.
“Como o desmatamento, por sua vez, responde por cerca de 45% das emissões brutas de gases de efeito estufa no Brasil, o PL da Grilagem deve também aumentar as emissões do Brasil, que cresceram em 2020, em plena pandemia, na contramão do mundo. Com isso, o país chegará em novembro à COP26, a conferência do clima de Glasgow, como um dos piores vilões climáticos do planeta.”
O texto irá para o Senado, onde tramita o PL 510, do senador Irajá Abreu (PSD-TO), que anistia ocupações ilegais de até 2,5 mil hectares feitas até 2014 (o limite da lei vigente hoje é 2011), além de, de acordo com o Observatório do Clima, possibilitar que invasões posteriores possam ser tituladas também sob licitação. Pelas regras do Parlamento, o PL da Câmara deverá ser apensado (anexado) ao PL do Senado e seguir para plenário como matéria única.
“O texto aprovado na Câmara possui brecha que pode permitir que áreas de florestas públicas ocupadas e desmatadas a qualquer tempo sejam regularizadas via licitação, com critérios a serem definidos pelo Poder Executivo via decreto. É um grande estímulo à continuidade da grilagem, visando à apropriação e titulação de terras”, diz a pesquisadora do Imazon, Brenda Brito.
Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…
No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…
No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…
Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…
Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…
Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…