A ONG internacional World Animal Protection informou neste mês de janeiro que lamenta a realidade de dezenas de bilhões de “animais de fazenda” mortos por ano no mundo. No Brasil, por exemplo, os mais abatidos, em ordem do primeiro ao terceiro, são frangos, suínos e bovinos.
“Nossas estimativas indicam que mais de 70 bilhões de animais de fazenda sejam criados e abatidos todos os anos no mundo, dois terços em condições industriais intensivas onde os animais não conseguem se mover livremente ou expressar seus comportamentos naturais”, destaca a WAP.
Segundo a entidade, bois, vacas, aves, porcos e outros animais são submetidos a práticas cruéis e desnecessárias que reduzem suas expectativas de vida. “Desenvolvem comportamentos anormais que lhes causam danos físicos e psicológicos.”
Entre os problemas específicos citados pela ONG estão confinamento, superlotação e ambientes pobres. Ela explica que manter animais em currais, baias, gaiolas ou pequenos piquetes não é nada saudável.
“Economicamente mais atrativa, mas estressante para os animais, a superpopulação das instalações provoca conflitos e facilita o estresse crônico que leva à baixa imunidade e à propagação de doenças. Para evitar ferimentos graves, o produtor recorre a mutilações preventivas, como corte do bico das aves e do rabo dos porcos, realizadas sem anestesia.”
Já a crítica em relação aos ambientes pobres diz respeito ao fato de que os animais são nascidos para uma vida ao ar livre, não para o confinamento. No entanto, a maioria nasce e morre dentro de espaços industriais intensivos que em nada lembra seu habitat.
“O estresse crônico causado pelo confinamento debilita o sistema imunológico dos animais criados em sistemas intensivos, favorecendo a disseminação de doenças. Por isso, antibióticos são administrados de forma ‘preventiva’ e diariamente, o que constitui um terreno fértil para a mutação/adaptação de bactérias que também são nocivas à nossa saúde”, acrescenta.
A World Animal Protection observa que nesse processo ocorre seleção de organismo que possuem alguma resistência a esses medicamentos e que depois não terão mais efeito no tratamento de humanos e animais.
“As estimativas indicam que o uso de 40% a 80% destes medicamentos nas criações em países em desenvolvimento seja desnecessário ou questionável. Apenas animais com doenças bacterianas devem ser tratados com antibióticos. Se nada for feito a tendência é que, até 2030, o uso aumente 67%.”
A entidade aponta ainda que infecções causadas por bactérias multirresistentes são mais difíceis de tratar, prolongam a permanência dos pacientes nos hospitais e aumentam índices de mortalidade. Apenas nos Estados Unidos, o gasto anual com essas infecções em seres humanos chega a US$ 30 bilhões.
“A boa notícia é que é possível mudar essa realidade, começando por uma mudança de hábitos em prol de um consumo consciente. Tudo começa com uma redução no consumo – o que conseguimos ao nos questionarmos mais vezes sobre a necessidade real de determinada compra.”
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