Se dada a oportunidade de liberdade, mesmo provisória, a um animal criado para ser morto, como ele reagirá? Um homem concordou em permitir que um porco criado desde o nascimento em um barracão dividido em pocilgas de concreto fosse libertado pela primeira vez, para que em até cinco minutos o animal o convencesse a não enviá-lo para a morte.
Claro que o porco não reconhecia a sua tarefa de mostrar ao homem que ele não deveria ser morto, mas se a vida do porco não poderia ser do porco sem a não declarada “negociação” com esse homem, o que restaria ao porco? Morrer ou antagonizar o próprio fim, mesmo sem sabê-lo, por expressão própria de um viver?
E se o porco nada fizesse pelo atordoamento da experiência do confinamento? E se estivesse cansado demais e apenas deitasse lá fora? A reação do porco determinaria o que seria do porco, não importando o que poderia ou não ser ciente sobre a situação do porco para o porco. Sem dúvida, havia algo de capcioso nisso.
As ações deveriam evocar um reconhecimento sobre a preservação de uma vida gerada para não viver. O porco seria observado e a decisão seria de quem, assim como em relação a outros, tinha predileção pelo “devido retorno” dos gastos com o porco.
Claro que é arbitrário um animal ter de corresponder à determinação humana para que não sofra as consequências do que, sem essa dita exceção, seria inevitável sobre ele.
Mas no mundo dos humanos, mesmo a libertação de apenas um porco já é condicionada ao que o porco pode demonstrar sobre um viver que é refutação do seu planejado morrer – por mais óbvio que isso pareça. Basta pensar no usual de que “libertação é exceção”.
O homem esperava do porco distinção. Fora da pocilga, o leitão ficou imóvel enquanto o sol aquecia seu corpo. Olhou para um lado e para o outro, e parecia não reconhecer nada. Como reconheceria o que nunca conheceu?
Ficou parado por algum tempo e o homem sorriu, esperando o fim dos minutos. Mais adiante, havia um buraco em uma cerca, que o homem não havia notado, e o leitão o atravessou e continuou correndo. Alguém disse: “Que animal não conhece a sua própria vontade? Mesmo que não vê-la seja preferível a reconhecê-la.”
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