Wild possum plays dead using its instinctive defense mechanism for deterring predators. While lying motionless the animal salivates frothily and exudes a foul-smelling odor that is enough to prevent most predators from pestering it any further.
Para que um animal não seja morto, ele deve ser útil? É sobre essa questão que reflito quando as pessoas dizem “para não matar um animal porque ele é útil”. Imagine se disséssemos que se não consideramos um humano útil, ele não deve viver.
É como dizer que o viver de um animal deve ser condicionado à sua utilidade, e a utilidade normalmente tende a ser pensada como benefício humano. Isso é muito comum quando alguém diz para não fazer mal a um animal “porque ele ajuda no controle de pragas”, por exemplo, que também traz a subjetividade da “praga”.
Por que não respeitar o interesse do animal de não ser desnecessariamente prejudicado? É preciso que exista um benefício para nós? Mesmo que uma pessoa use esse discurso por acreditar que é uma forma de “motivar as pessoas a não fazerem mal aos animais”, isso não deixa de ser uma mensagem que ratifica a crença de que o animal não deve ser considerado um fim em si mesmo.
Porque quem receberá essa mensagem pode ou não mudar de atitude, e mudando, não será pelo animal, mas pelo benefício humano que passará a compreender em relação a esse animal. “Ou seja, se ele é útil, não devo matá-lo, não devo causar-lhe mal.” Isso não deixa de dar continuidade a uma tradição de perspectiva utilitária sobre animais não humanos.
O problema é que esse pensar continua rejeitando o que em relação a esse animal não deveria ser sobre nós, porque é condicionar o permitir viver a um fazer. É o mesmo discurso persistente naquela lógica ecológica de que a importância não é o indivíduo, e sim o papel que o animal desempenha – o que desconsidera o indivíduo para o indivíduo.
Mesmo que pessoas rejeitem essa consideração, não seria no mínimo um reducionismo e perder uma oportunidade a mera difusão dessa perspectiva unilateral ou utilitária sobre os animais? Se podemos tentar fazer mais, e se não tentamos, pode haver realmente uma grande transformação e uma grande mudança relacional se outros animais continuam sendo sobre nós?
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