Não dizemos que uma prisão é o lugar comum do ser humano, mas não apenas dizemos como defendemos que a gaiola ou a jaula é o lugar de tantos outros animais – animais que devem estar à disposição da atenção humana; animais que tenham uma vida baseada na observação humana.
É como dizer que o outro animal existe para o olhar humano, e que sua existência só se justifica por esse olhar dominante. O animal existe à medida do meu olhar? Se ele existe, é porque existe conforme nossos olhos voltam-se para ele?
Pessoas vão embora e voltam, e seu reconhecimento da existência desse animal é esse encontro, em que o animal é o que vejo nele, pelo que por antecipação busco nele. É o saber onde encontrá-lo e a ideia de que não estará noutro lugar que permite a concepção de que o animal vive às voltas com o resultado da disposição humana.
Estará lá quando eu quiser encontrá-lo. Posso encontrá-lo e a ele não cabe a deliberação do que encontrar. A vontade que habita nele só pode ser validada pela vontade que não habita nele. O espaço do não humano é o espaço humano – o seu redor é pura intervenção humana, mesmo na artificialização do que é ou seria uma vida natural.
Mas o que pode ser natural numa constante irrealização do que nunca escapa ao que é determinação humana? Quando o animal olha de volta demonstrando ânsia por ser um fim no ser humano, por viver para aguardá-lo?
Crianças esperam entretenimento, e é na crença de que o animal não humano confinado entretém que o animal é para a criança a perpetuação de que o lugar não humano é o lugar da primariedade da realização humana.
Quando um animal enjaulado toca uma folha que está do lado de fora, o que esse animal toca? Se ele toca a folha e não é suficiente, e tira da folha algo que mantém na própria mão, o que isso constitui para esse animal?
Uma curiosidade? Um desejo? Uma ânsia por deslocamento? Não há uma simples resposta, mas há inferências sobre como o animal estabelece uma interação pelo que se é relação ao que vem de fora pode ser também não relação com o que está dentro. Não pode ser o contato com o que está fora uma resistência por sua condição que não pode ser de sujeito de fora?
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