Saiu uma matéria sobre a redução da idade de abate de bovinos no Brasil, destacando uma queda no número de animais abatidos com três anos e um grande aumento dos abatidos com um ano de idade. Isso é tão divulgado quanto recebido como algo positivo.
A justificativa apresentada é que é melhor para o pecuarista e melhor para o consumidor. Como é comum, considera-se somente os interesses dessas duas partes, já que o bovino, que é o principal afetado, é excluído da consideração sobre esse grande mal que o afeta – que é matá-lo.
Argumenta-se que a redução da “idade de abate” proporciona redução de gastos para o pecuarista, pelo “maior giro” proporcionado pela redução do tempo que o animal vive na fazenda e por resultar em uma “carne mais saborosa e macia”.
Nada sobre isso visa estimular no consumidor outra consideração, o que facilita a inconsideração que pode ser desejada pelo consumidor, na constante validação de seus hábitos. Assim, se há um animal a ser contemplado no pasto, ele está lá apenas para ser removido o mais rápido possível.
Como as experiências desse animal tendem a ser minoradas mais rapidamente do que já são, isso entra em contradição com a imagem bucólica construída pela pecuária em torno do que é simbólico sobre um animal vivo e sobre uma “justa” relação humana-não humana.
Afinal, o que menos interessa nesse processo é a relação com a vida, que tende a ser pensada como se não fosse sobre exploração e violência, como se tudo ocorresse naturalmente.
Porém o natural é ausência que tende ao aberrante, bastando refletir sobre tal normalização. Ingenuidade também é pensar nisso como sendo “apenas” sobre bovinos, já que todos os animais criados para consumo vivem menos em comparação com décadas anteriores.
O aumento do lucro e do interesse de consumo se é baseado no viver animal, é para que esse viver seja tão breve quanto pode ser. Se fosse possível fazer um animal crescer “o suficiente” em 24 horas, quantos pecuaristas deixariam de enviá-lo para o matadouro no dia seguinte?
Estamos sempre diante de mudanças que surgem porque há muitos consumidores dispostos a pagar pela intensificação da produtificação animal.
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