Categorias: NotíciasPolítica

Para Nelson Barbudo, reconhecer animais como sujeitos de direitos é uma “aberração jurídica”

Além de se opor, deputado debochou do PL 6054/2019 (Foto: Mayke Toscano/Secom-MT)

Durante discussão realizada na sexta-feira (15) sobre o Projeto de Lei 6054/2019, do deputado federal Ricardo Izar (PP-SP), que visa reconhecer os animais como “sujeitos de direitos despersonificados”, o deputado Nelson Barbudo (PSL-MT) definiu a proposta como uma “aberração jurídica”.

“É um cavalo de Troia. Temos que cuidar dos animais, mas não podemos aprovar esse projeto, que é a destruição do sistema produtivo do agronegócio. Como vamos aplicar os agrotóxicos que acabam com a borboleta que destrói o milho? Vai chegar algum juiz e dizer que não se podem matar as borboletas.”

Na audiência realizada pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara, ele debochou de ações judiciais em que animais não humanos possam ser autores. “Cão move ação contra o dono e assina com a própria patinha.”

A presidente da comissão, Carla Zambelli (PSL-SP), sugeriu que Izar arquivasse a proposta conhecida como “Animal não é coisa” e apresentasse outra, mas ele recusou e destacou que o PL visa o o aperfeiçoamento do reconhecimento da senciência dos animais. Entre os opositores do projeto de lei estava também o representante da Federação Brasileira de Adestradores de Animais, Ubiratan Rabadan, que comentou que o PL tem “demandas bizarras”.

O diretor do Sindicato Nacional dos Criadores de Animais, Guilherme Bunguer, disse que os “animais não têm direitos porque não podem ser atribuídas a eles quaisquer obrigações. O homem é que deve ter a obrigação de cuidar dos animais, que devem sim ter garantias e proteções.”

Veterinária, promotora e juiz defendem o PL

O mesmo discurso foi endossado pela Associação Nacional de Defesa dos Agricultores, Pecuaristas e Produtores da Terra, Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação e Confederação Brasileira de Cinofilia.

Já entre os defensores do projeto de lei estavam a médica veterinária e diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, Vânia Nunes; a promotora Monique Gonçalves, de Minas Gerais, e o juiz federal Vicente Ataíde Junior, do Paraná.

Monique destacou que com a aprovação do PL, o animal deixaria de ser “objeto material do crime” para ser sujeito passivo, a vítima, com responsabilidade direcionada a ele, assim permitindo indenizações e custeio de tratamentos.

A observação de que a proposta pode criar “demandas bizarras”, feita por Rabadan, foi refutada por Ataíde Junior, que sustentou que não há possibilidade disso acontecer porque o objetivo é questionar, por exemplo, casos concretos de maus-tratos que escapam à Lei Sansão.

Gosta do trabalho da Vegazeta? Colabore realizando uma doação de qualquer valor clicando no botão abaixo: 

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

4 semanas ago

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal?

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal? Há…

1 mês ago

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos?

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos? Em 2024, o Brasil bateu…

1 mês ago

O consumo humano transforma animais em prisioneiros de seus próprios corpos

A prisão é o corpo: além do matadouro O consumo humano transforma animais em prisioneiros…

2 meses ago

Animais, pela ética do amor ou do cuidado?

Amor ou justiça: por que a ética do cuidado é mais eficaz A premissa de…

2 meses ago

Por que não é uma boa ideia usar o termo “feito de plantas”

Pode parecer coerente usar o termo “feito de plantas” em relação a alimentos ou pratos…

2 meses ago