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PL quer que governo federal estimule consumo de leite

Setor leiteiro passou e continua passando por um período de estagnação e oscilação (Foto: iStock)

Está tramitando na Câmara dos Deputados um projeto de lei que exige que o governo estimule ainda mais o consumo de leite no Brasil. A intenção é fazer isso por meio do PL 6487/2019, que institui o Dia Nacional do Produtor de Leite, a ser celebrado no dia 12 de julho.

A iniciativa de autoria dos deputados Emidinho Madeira (PSB), Domingos Sávio (PSDB-MG) e Evair Vieira de Melo (PP-ES) determina que os setores público e privado se unam na promoção de palestras e seminários, entre outros eventos e atividades, voltados a elevar o consumo de leite e derivados.

“Diante da importância da cadeia produtiva do leite e, principalmente, do fato de o produtor de leite estar presente em praticamente todos os municípios brasileiros, será nobre e justo propor a comemoração do dia do produtor de leite na data da criação da Abraleite [Associação Brasileira dos Produtores de Leite], que tem como objetivo central defender o produtor e uma política equânime para a cadeia”, defendem os deputados.

Segundo a Embrapa, em 2018 o Brasil registrou crescimento de 0% na produção leiteira. O setor passou e continua passando por um período de estagnação e oscilação – com o Brasil registrando volumes anuais de produção bem inferiores àqueles registrados em 2014.

De acordo com informações do Sindicato das Indústrias de Laticínios de Mato Grosso do Sul (Silemes), a produção de leite no estado caiu 47% em relação aos últimos cinco anos. Problemas na cadeia produtiva, impostos e baixo preço do produto são apontados como principais causas. Em 2013, a produção leiteira do estado era de 197,560 milhões enquanto que em 2018 o total caiu para 104,356 milhões.

Além disso, surgiram mudanças nos hábitos de consumo. Segundo pesquisa realizada pela Kantar Worldpanel, o leite UHT deixou de entrar na residência de pelo menos 611 mil famílias brasileiras em 2018. E o crescente interesse por alternativas livres de lactose e não lácteas tem beneficiado quem está investindo em um mercado que prioriza ingredientes de origem vegetal.

Prova disso é que o mercado brasileiro de alternativas aos laticínios cresceu 51,5% em 2018, e ofertas à base de soja, arroz, aveia, coco e amêndoas lideraram uma movimentação de R$ 545 milhões, segundo a empresa global de consultoria Euromonitor International.

E esse mercado deve continuar surpreendendo. A previsão é de crescimento global de mais de 40% até 2023, segundo a ResearchandMarkets.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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