Tirou um ovo da caixa. Destacava-se pelo sangue seco. Os outros, não. Olhou para o ovo e não entendeu o motivo do sangue.
Disseram que é lembrança de que o ovo é resultado da ovulação da galinha. Ou seria controle da sexualidade da galinha? Por que comer o que vem da ovulação de alguém?
E o ambiente artificial, a manipulação das luzes, a modificação genética para botar tantos ovos por ano. E a muda forçada?
Saber disso fez pensar também em dor, o sangue como forma de dor. Dirão que é natural, mas o que é natural sobre esse animal?
Continuaram. E a peritonite? Pela primeira vez concluiu que comer ovo é estranho. Mesmo que no ovo não haja vida, não é do ovo que vem a vida?
Comer ovo então é como comer o ensaio de uma vida…pela ação biológica que é para a vida…ovo galado, ovo não galado.
Não é interferir na sexualidade desse animal, produtificar um ciclo de vida, uma capacidade reprodutiva?
Falaram de uma galinha que vivia num quintal e que mataram pela falta de ovo. E as outras então?
Na ausência de um, a compensação vem de outra forma. Quem deixa viver pelo que dizem que já não pode ser?
Passou o dedo pelo sangue seco e ficou uma pequena marca, ínfima. Não pensamos no ovo como se apenas saísse da galinha?
Mas quem reflete sobre esse “sair”? Tão pacífico nesse pensar, tão diverso e nocente noutro pensar. O que custa para tantas galinhas o ovo?
Observou o que sobrou do sangue seco e não pareceu certo comer ovo. Agora verei sangue em todos os ovos. Está errado?
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