Categorias: Opinião

Quem pensa em crianças não humanas no Dia das Crianças?

Fotos: AAR/PETA/Andrew Skowron/Golli

Quem pensa em crianças não humanas no Dia das Crianças? Quantas são exploradas e mortas nesta data? Costumo dizer que os animais que a humanidade explora e consome ainda são crianças, porque a maioria morre de forma tão precoce que é absurda tal desconsideração.

Quero dizer, aves, por exemplo, que são mortas às dezenas de bilhões por ano, com destaque para os frangos, vivem por 30 a 45 dias. Isso mesmo, um mês. Galinhas poedeiras, com sorte, vivem um sexto ou um sétimo do que poderiam em situação não exploratória.

E quanto aos pintinhos? Se nascem machos na indústria de ovos, são mortos em seguida, e por maceração mecânica – que é a trituração. Só no Brasil, mais de 233 mil morreram neste Dia das Crianças, descartados como pequenos pedaços de lixo.

E quando são úteis, como é o caso das fêmeas na indústria de ovos, passam pela tradicional debicagem nos primeiros dez dias de vida – sem anestesia, sem nada para aliviar a dor. Imagine queimar de propósito a boca de uma criança – é isso que concluo em relação a essa experiência.

Sofrimento análogo é imposto aos mamíferos mais abatidos no mundo – os porcos – que nos primeiros dias de vida passam por corte de cauda e de dentes. Quem encararia algo assim de bom grado? E a partir de 18 dias de idade, já são separados de suas mães. Esse é o preço do bacon, bisteca, linguiça…que surgem com a morte de um animal que hoje não vive nem meio ano.

E o bezerro? Com o leite de sua mãe destinado para consumo humano é separado e descartado nos primeiros dias. Mas hoje no Brasil a Abraleite já está preparando o cenário leiteiro nacional para a exportação da carne de bezerro ou de vitela, como preferir chamar. Então, além de roubar o leite do bezerro, sua carne será reduzida a produto de exportação.

E o cordeiro, que muitos brasileiros adoram comer em datas comemorativas? Os criados em confinamento já são mortos com três meses de idade ou 100 dias. Também vejo os novilhos como crianças, independente se são classificados como “precoce” “super precoce” ou não, porque olhar nos olhos de um novilho é como olhar nos olhos de uma criança.

 

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David Arioch

Jornalista e especialista em jornalismo cultural, histórico e literário (MTB: 10612/PR)

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