Cinema, TV e streaming

Reilly já abandonou filme por ser contra a morte de um burro

Insistindo contra a prática, o ator abandonou o filme lançado em 2005 e foi substituído pelo ator esloveno Zeljko Ivanek (Fotos: Getty)

Em 2004, o ator John C. Reilly estava em Trollhättan, na Suécia, participando das filmagens do filme “Manderlay”, do controverso cineasta dinamarquês Lars Von Trier, quando afirmou que não continuaria na produção ao saber que um burro seria morto durante as gravações.

À época, o produtor executivo Peter Aalbaek justificou à agência de notícias Ritzau que “o animal já estava velho e doente e que o sacrifício seria um ato de compaixão”.

“Todo o processo foi monitorado por um veterinário. Estávamos muito conscientes disso porque não queríamos 70 mil grupos de direitos animais nas nossas costas”, disse. E polemizou: “Poderíamos matar seis crianças em um filme sem que ninguém fizesse essa confusão.”

A preocupação de John C. Reilly, conhecido por filmes como “Boogie Nights”, “Chicago” e “Precisamos Falar Sobre Kevin”, era também com o fato de que no contexto de “Manderlay” o animal seria morto e reduzido a pedaços de carne entre os moradores do lugarejo.

Substituição e outros exemplos de violência contra animais

Insistindo contra a prática, o ator abandonou o filme lançado em 2005 e foi substituído pelo ator esloveno Zeljko Ivanek. A cena da morte do burro foi gravada, embora não tenha entrado na edição final para evitar mais problemas com ativistas dos direitos animais.

Em 2018, Lars Von Trier também gerou alvoroço com a cena de um patinho que teve suas pernas arrancadas com um alicate em “A Casa que Jack Construiu”. Em defesa do filme, ele explicou que o patinho não era de verdade e recebeu o apoio da organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA).

Outros animais usados como meio de transporte de humanos ou de cargas também tiveram a morte decretada no cinema. Em “Andrei Rublev”, de 1966, Andrei Tarkovsky mostra um cavalo levando um tiro no pescoço e sendo empurrado escada abaixo.

Trinta anos antes, em “A Carga da Brigada Ligeira”, de 1936, pelo menos 25 cavalos foram mortos na obra de Michael Curtiz. Já em 1939, um cavalo quebrou a espinha depois de cair de uma altura de pouco mais de 20 metros durante a filmagem de “Jesse James”, de Henry King. E há muitos outros exemplos.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

O bezerro no prato e o som de tripa de carneiro

Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…

1 semana ago

O abate que (quase todos) ignoram

No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…

2 semanas ago

Uma reflexão sobre a violência por trás do leite

No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…

3 semanas ago

Por que ser cruel com os animais?

Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…

4 semanas ago

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

1 mês ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

2 meses ago