Categorias: NotíciasPolítica

Representante do CFMV é a favor da exploração de animais para entretenimento

Foto: Elaine Menke/Câmara

Ontem (7), a Comissão do Esporte da Câmara discutiu o uso de animais para entretenimento por meio de “eventos esportivos”, um termo controverso, já que uma prática esportiva depende de consentimento.

No caso dos animais, eles são condicionados e forçados a participarem, o que significa que há uma ausência de escolha. Além disso, são práticas que visam lucro, o que significa a instrumentalização não humana em benefício humano – como ocorre em rodeios e vaquejadas.

O representante do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), Rodrigo Montezuma,  disse durante a audiência que não vê problema no uso de animais em “eventos esportivos” se houver regulamentação prévia.

Segundo Montezuma, a regulamentação, assistência técnica e fiscalização são mais eficazes porque “a simples proibição de atividades esportivas ou qualquer atividade com animais gera mercados paralelos”.

Além de não apontar problemas na atual legislação no que diz respeito a maus-tratos e crueldade animal, dando a entender que a “Lei dos Crimes Ambientais” já faz o suficiente, o representante do Conselho Federal de Medicina Veterinária pontuou que a regulamentação de uma prática deve levar em conta “a aptidão natural do animal” e citou os “galgos como corredores natos”.

Durante a audiência, ativistas em defesa dos animais citaram resgates de animais usados em rinhas e vaquejadas – como exemplo de maus-tratos e crueldade animal.

Um dos maiores defensores do uso de animais como entretenimento na Câmara é o deputado Capitão Augusto (PL-SP), que também participou da audiência de ontem.

Ele é líder da bancada da bala e autor de um PL que deu origem ao Dia Nacional do Rodeio, sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro em dezembro de 2019, além de ser o 2º vice-presidente do Partido Liberal.

Gosta do trabalho da Vegazeta? Colabore realizando uma doação de qualquer valor clicando no botão abaixo: 

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

O bezerro no prato e o som de tripa de carneiro

Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…

1 dia ago

O abate que (quase todos) ignoram

No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…

1 semana ago

Uma reflexão sobre a violência por trás do leite

No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…

2 semanas ago

Por que ser cruel com os animais?

Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…

3 semanas ago

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

1 mês ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

2 meses ago