O Partido Republicano da Ordem Social (Pros) hoje tem dois nomes que tem se destacado na defesa de políticas de apoio e intensificação da exploração animal. Na Câmara, o nome mais representativo é a deputada Aline Sleutjes (PR) e no Senado é Telmário Mota (RR). Já o Solidariedade conta hoje com três representantes na Câmara que são apoiadores de rodeios, vaquejadas e provas de laço. Vale lembrar que o partido já recomendou aprovação de projeto de lei em defesa do uso de animais para entretenimento.
Aline Sleutjes (PR)
Autora do PL 207/2022, que visa instituir a Política Nacional de Apoio e Incentivo à Pecuária Leiteira, Aline já vinha se manifestando desde 2021 contra o uso do termo leite para produtos de origem vegetal, o que pode ser confirmado na Indicação 516/2021.
A deputada alega que a “utilização indevida” da palavra “leite” impacta na imagem do setor leiteiro e gera uma “competição desarmônica com produtos de origem animal”.
Segundo a parlamentar, que usa discurso semelhante ao da deputada federal Tereza Cristina (PP-MS) no PL 10556/2018, a intenção é “evitar que o consumidor seja induzido ao erro em consumir produtos que não são de origem animal.
Aline Sleutjes defende ainda a atualização do Guia Alimentar para a População Brasileira com maior inserção de leite e derivados para que, segundo ela, “sua importância seja novamente reconhecida”.
A deputada também propõe estímulo ao consumo de leite por meio da merenda escolar e desenvolvimento de campanhas em parceria com o setor produtivo para incentivar o consumo de leite na dieta da infância até a terceira idade.
Na indicação também consta que deve ser elaborado em parceria com órgãos fazendários e com o poder legislativo (reforma tributária) mudança na legislação tornando isento ou imune de tributação os insumos, máquinas e equipamentos utilizados na produção do leite.
“Reduzir a carga tributária e simplificar o setor agropecuário, além de desonerar a cadeia da limitação da tributação com aproveitamento dos créditos dando o tratamento adequado ao setor agropecuário”, acrescenta.
Ela ressalta ainda que o projeto de lei contempla a “sustentabilidade ambiental da pecuária leiteira”. No entanto, não são poucos os estudos destacando as grandes emissões de carbono a partir da atividade, já que o metano é considerado até 30 vezes mais potente do que o dióxido de carbono.
Telmário Mota (RR)
Em 2019, quando as discussões sobre a implantação do Estatuto dos Animais (PLS 631/2015) estavam ganhando força no Congresso, Telmário Mota (RR) cobrou alterações que descaracterizavam a proposta. Ele defendeu que “não fossem consideradas práticas de maus-tratos aquelas relacionadas à tradição cultural, recreação ou exploração econômica”.
Reconhecendo que a proposta original defendia “a não tolerância à prática de maus-tratos sob a justificativa de tradição cultural, recreação ou exploração econômica”, isso deixa claro o quanto a exigência de Telmário Mota visava anular o efeito da criação do estatuto, que previa aperfeiçoamento da legislação que envolve a proteção dos animais.
Afinal, se não for para melhorar a relação da sociedade com os animais, nenhum projeto de lei que se propõe a defendê-los cumpre o seu papel.
Também em 2019, Mota fez pressão contra o PL 6054/2019, de Ricardo Izar (Republicanos-SP), que visa o reconhecimento da natureza jurídica dos animais, com o objetivo inicial de evitar que continuassem sendo vistos e tratados como “coisas”.
A aprovação do projeto de lei no Senado só foi possível após a inclusão de uma emenda destacando que “a tutela jurisdicional não se aplica ao uso e à disposição dos animais empregados na produção agropecuária e na pesquisa científica nem aos animais que participam de manifestações culturais registradas como bem de natureza imaterial integrante do patrimônio cultural brasileiro.”
Contra a proposta, Telmário Mota disse à época que aprová-la seria apoiar “exageros penais” que poderiam trazer problemas para quem cria e utiliza animais com fins econômicos.
Vale lembrar também que Mota é o atual relator da Sugestão (SUG) 41/2019, que visa a legalização das rinhas de galos no Brasil, uma proposta que jamais poderia ter sido aceita como recomendação legislativa, já que trata-se de crueldade contra animais. Ainda assim, a sugestão feita pelo portal e-Cidadania recebeu mais de 1,8 mil votos favoráveis.
Já em 2020, o senador votou contra o projeto de lei que deu origem à Lei Sansão (14.064/2020), aumentando a pena contra maus-tratos aos animais.
Telmário Mota encaminhou uma emenda com o objetivo de reduzir a pena de detenção em casos de maus-tratos, e inicialmente, para dois meses. Ou seja, uma punição ainda menor do que aquela em vigor antes da aprovação da Lei Sansão – que previa, para começar, três meses.
Em 2020, Mota classificou a Lei Sansão como “uma grande inversão de valores” e disse que o projeto estava fora da realidade.
“A relação com os animais tem que ser de carinho. Mas um animal tem que ser tratado como um animal. Essa sensibilidade está atrapalhando a cultura dos brasileiros”, declarou em 9 de setembro de 2020.
Uma das propostas mais controversas de Telmário Mota é o Projeto de Lei (PL) 1037/2020, que regulamenta a criação, manejo e exposição de galos da raça mura, mais conhecidos por serem utilizados em rinhas. Segundo o deputado, o objetivo é “atender os princípios de garantia do bem-estar animal e da preservação da espécie”.
Em 2019, Acácio Favacho (AP), hoje no MDB; Clarissa Garotinho (RJ), hoje no União; Eros Biondini (MG), hoje no PL; Gastão Vieira (MA), hoje no PT; e Vaidon Oliveira, hoje no União (CE), eram deputados federais do Pros quando, contrariando a recomendação do partido pela obstrução da votação, votaram a favor do PL 8240/2017, de Raimundo Lira (MDB-PB), que deu origem à Lei 13.873/2019, tornando o rodeio, a vaquejada e o laço “bens de natureza imaterial do patrimônio cultural brasileiro”.
Já o diretório nacional do Solidariedade, que recomendou apoio ao mesmo PL, favoreceu a aprovação da proposta de Raimundo Lira por meio de Áureo Ribeiro (RJ), Luizão Goulart (PR) e Zé Silva (MG).
Luizão Goulart (PR)
Recentemente, como relator, Goulart aprovou na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara um substitutivo ao PL 3702/2015, defendendo a exclusão de animais usados na pecuária do Cadastro Nacional de Animais Domésticos.
O deputado do Solidariedade também votou em 2019 pela aprovação de um relatório à Medida Provisória 867/2018, de Sérgio Souza (MDB-PR), que propôs alterar o Código Florestal Brasileiro, prevendo mais anistia para o desmatamento no Brasil, além de promover redução das reservas legais em alguns biomas como o Cerrado.
Zé Silva (PR)
Zé Silva, também do Solidariedade, já votou a favor do Projeto de Lei (PL) 2452/2011, de Efraim Filho (DEM-PB), que visa reconhecer a vaquejada como “atividade desportiva formal”.
Em 2019, Dr. Leonardo (MT), hoje no Republicanos; Eli Borges (TO), hoje no PL; Tiago Dimas (TO), hoje no Podemos; e Marina Santos (PI), hoje no Republicanos, também votaram a favor do reconhecimento de rodeios, vaquejadas e provas de laço como patrimônio cultural imaterial em 2019, quando faziam parte do Solidariedade.
Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…
No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…
No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…
Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…
Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…
Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…