
Quando um ser humano está na iminência de ser morto por algum ser de outra espécie, ele é tomado por desespero inenarrável. Tal desespero é consequência natural da impossibilidade em comunicar ao outro o que está sentindo.
Quero dizer, posso falar, gritar, verbalizar o que sinto, mas se o outro não compreender, isso será insignificante, em vão. Afinal, haverá conflito de comunicação. Então é natural que em situações como essa o sentimento de terror seja anômalo.
O outro, por não ser da mesma espécie, é visto como um arcano, um enigma apavorante que amplifica as nossas impossibilidades de sobrevivência. A morte então é axiomática, e todas as nossas emoções concorrem ao mesmo fim.
Acredito que este seja o sentimento de um animal quando é morto por mãos humanas, animais reduzidos a alimentos e outros produtos. Sem dúvida, a incapacidade de comunicar-se como nós torna tudo muito pior, abissal, atemorizante.
A certeza de que não poderá reclamar pela própria vida mimetizando a comunicação humana avulta a dor e a sensação de impotência. Creio que seja uma experiência visceral.
Por isso, o animal não humano diante da finitude sofre mais do que imaginamos, porque não apenas sabe que vai morrer enquanto quer viver, mas também por perceber que sua dor é banalizada, desconsiderada pela incapacidade de comunicar-se de forma humana, já que o código comunicativo é diferente.
“Sem grito, sem choro, sem bravia resistência, está tudo bem. Eles não sofrem muito”, diriam, julgando os outros animais sob a obtusa perspectiva humana.
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Uma resposta
Inaceitável que se permita ainda o desprezo à vida e integridade física de qualquer indivíduo. Quem desrespeita uns, desrespeita outros, o que parece bem lógico, de simples dedução. Enquanto houver abuso de alguns grupos, etnias, espécies, haverá abuso de qualquer grupo de indivíduos. A Sociologia, certamente, deve enxergar com muita clareza as origens e os reflexos desta violência banalizada pela Economia.