No matadouro, cada boi é uma criança, ignorada pela forma, tamanho, pelo que parece e pelo que não parece. É criatura visivelmente invisível na chegada e na partida. Está ali como se não estivesse, na realidade, como se não fosse.
Desce do caminhão entre berros. Se “demora”, logo sente agressão no couro. Tem tristeza, sempre tem. “E daí?” Olhos mudam, passos ficam mais pesados e incertos. Vem outra dor, compartilhada, repetida por tantos no mesmo dia.
Outros e outros que chegam, mas não saem. Dizem que bicho não sabe, sabe sim. Que tal reconhecer capacidade? “Melhor não…” Passa de um lugar para o outro, guiado pelo engano e pelo sofrimento.
Pressente, sente, mas não vê. Desacelera. Mais uma dor. Morte dos companheiros afeta seus movimentos. Olhar fica alterado, coração dispara, corpo esquenta e treme. Visão turva? Também. Mais um, mais um, até o último.
Antes de chegar a vez, desaba no chão, abatido por súplicas. Viram de um lado, do outro. “Couro está bom.” Alguém faz rápida inspeção. É caso de insensibilização por excesso de sensibilidade. Economia de pistola, mas não de degola. “Vou pendurar!”, grita um magarefe.
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