Segundo levantamento feito pela Vegazeta junto à Câmara dos Deputados, pelo menos 54 projetos de lei em defesa dos animais foram apresentados entre janeiro e julho deste ano. Isso significa uma média de mais de sete PLs por mês.
No geral, o maior volume de propostas visa beneficiar principalmente animais domésticos como cães e gatos, e a partir da cobrança de mais rigor na punição de formas específicas de maus-tratos e crueldade, assim como de implantação de programas que visam coibir abandono animal, incentivar adoção e oferecer apoio a entidades de proteção aos animais.
Alguns PLs se voltam à importância da conscientização de que causar mal a esses animais é crime. Outros chamam atenção para as dificuldades enfrentadas por protetores de animais.
Há também projetos que pedem o fim do reconhecimento de práticas cruéis contra animais como patrimônio cultural ou esporte, a proibição de testes em animais na indústria cosmética e exigem a criminalização específica de rinhas e prática de zoofilia, assim como a proibição de corridas com cães e aumento da pena por tráfico de animais silvestres.
Porém, um problema comum é que muitas propostas em defesa dos animais demoram a ser analisadas pelas comissões. Inúmeras são transferidas para vários relatores em uma mesma comissão e sem chegar a qualquer decisão. O índice de aprovação também não é dos melhores, o que ainda revela um descaso em relação a esses projetos julgados como de “interesse secundário ou menor”.
Apenas quando há maior pressão política ou pública que proposições em defesa dos animais têm maior chance de aprovação e de tornarem-se leis. Por outro lado, se entram em conflito com interesses econômicos encontram maior resistência entre os parlamentares.
Como já observamos em anos anteriores, inúmeros projetos de lei em defesa dos animais compartilham semelhanças e poderiam se fundir para que seus autores garantam mais apoio e ampliem as chances de aprovação.
Tudo indica que o problema hoje não é o número de propostas apresentadas na Câmara, mas a seriedade com que são defendidas, se receberão apoio e até que ponto, e também se foram elaboradas de forma consistente em defender o que consta na descrição.
Como um projeto de lei depende de avaliações por várias comissões, não há como ignorar que o autor deve considerar como seria recebida por cada uma e o que pode ser feito para garantir que chegue à votação em plenário e seja aprovada.
Não é sensato ignorar que a aprovação de PLs em defesa dos animais depende de algo bem óbvio, ou seja, a percepção que os parlamentares têm sobre os animais. Em relação a isso, o apoio popular também pode fazer uma grande diferença.
Afinal, se um deputado não vê problema em ignorar ou fazer oposição a pautas em defesa dos animais ou em apoiar aquelas que podem prejudicá-los, talvez um número bem significativo de seus eleitores pense diferente, e possa considerar isso como um fator para não ajudar a reelegê-lo.
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