O filme “Tempo”, de M. Night Shyamalan, permite refletir sobre o uso de animais como cobaias. Na obra, famílias são enganadas com uma promessa de descanso em uma ilha paradisíaca, sem saber que serão submetidas a um isolamento em uma parte da ilha onde humanos envelhecem e morrem em um período de apenas 24 horas.
Isso faz parte de uma série de testes realizados por uma indústria farmacêutica que seleciona humanos saudáveis e não saudáveis de uma mesma família. Os problemas que surgiriam ao longo de uma vida aparecem em algumas horas, e os já existentes são agravados.
Quando percebem o que está acontecendo, os humanos escolhidos como cobaias tentam fugir e, nas diversas tentativas de fuga, alguns morrem. Eles são colocados em uma situação em que suas vidas não têm mais valor inerente, mas somente a daqueles que supostamente podem ser “beneficiados” por essa indústria por meio de seus produtos.
A maneira como os humanos como cobaias são citados no laboratório revela que são apenas números, vidas descartáveis para um “bem maior”. Há o mesmo discurso propagandístico utilizado em relação às vidas não humanas na realização de testes e outros experimentos – de que o “sacrifício” justifica o “benefício”.
Afinal, não é isso que é feito com regularidade com tantos animais, mas sem que sobre isso persista uma predominante rejeição, e porque os testes para os mais diversos fins não são arbitrariamente realizados em humanos e porque não podem e nem devem ser?
Em “Tempo”, humanos são prisioneiros do interesse de outros humanos, e seus interesses são completamente ignorados, assim como são também os interesses de tantos animais fora da ficção, e porque são escolhidos para serem ignorados, a não ser em relação ao que é relevante ao desenvolvimento de produtos e seus discutíveis “testes de segurança”.
Sobre isso, é citável a cena do observador, interpretado por M. Night Shyamalan, que testemunha a experiência de impotência, sofrimento e definhamento desses humanos, que é também de proximidade com a morte. Isso é algo que ocorre com frequência com animais invisibilizados nas relações de consumo.
O filme está disponível na Netflix.
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