Um peixe tenta escapar da morte por asfixia. É tão pequeno que é o único a conseguir atravessar parte do corpo pela rede de emalhar. Fica entre a prisão e a liberdade. A prisão já é a realidade, e a possibilidade uma luta pela liberdade.
A boca aberta do peixe em agonia forma um V, e imagino seu anseio por vencer. Mas não posso dizer que a vida de um peixe é sobre vitória ou derrota. E por que devo dizer? Se sua resistência é somente sobre viver.
Pode-se perceber o volume de peixes e não peixes no emalho, que é tão grosso que parece impossível atravessá-lo, mas esse peixe, na sua pequenez, encontra uma abertura – uma fronteira que determina que ele deve partir e também deve ficar.
É o destino do peixe esse provisório transitar? Pode e não pode transpassar. E se pudesse escorrer pela rede de emalhar? E se pudesse encolher só um pouquinho para partir? E se suas escamas liberassem uma substância escorregadia?
De onde o peixe está é difícil dizer o que é o céu e o que é o mar. Para onde vai o olhar? Há uma vastidão que só pode observar – tudo o que conhece e tudo o que não conhece. E a morte chega, com a liberdade dos olhos e a prisão do corpo.
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