Um porco caído entre pocilgas é uma baixa, uma morte na hora errada, um desperdício. Associação instantânea é com prejuízo – carne em forma de lucro perdido.
Livra-se do confinamento, da viagem ao matadouro, da eletrocussão, da degola. Mas esse livrar-se não é voluntário, é imposto, assim como tudo sobre sua condição não humana.
Olho sem vida é amiudado, como risquinho irregular e escuro numa cabeça que antecipa um corpo judiado. Última deitada é num chão de concreto, e fica ali como se não ficasse.
De um lado e do outro, grades, bloqueios e espaço reduzido. Sol chega sem chegar, sem aquecer, para iluminar onde não se está. Podem sair, pra morrer.
Calculam o peso do porco morto e anotam. Ação mecânica, sem expressão, sem novidade. Também é cotidianidade. Fica deitado até ser descartado, como se já não tivesse sido, da vida.
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