Um garoto foi até o quintal com um machado e começou a golpear a árvore do jeito que aprendeu em um vídeo no YouTube. Era um golpe por dia, nunca dois ou três ou mais.
O objetivo era derrubar a árvore sem atrair qualquer tipo de atenção. Seu pai já sabia, e achava que a árvore não era grande e pesada o suficiente para colocar a vida do garoto em risco. Ficava na janela, de espreita. O golpe diário era por volta das 18h.
Duas semanas depois, a árvore não estava diferente dos primeiros dias, mas, aos seus pés, tudo que havia em volta parecia sem vida. Até um ninho de bem-te-vi desapareceu, assim como as maritacas. Ele ainda não entendia.
“Um golpe por dia, como?” Olhou mais uma vez a árvore. Não parecia perto de ceder apesar da porção de marcas. Caminhou até a janela, onde viu o pai o observando, e perguntou se sabia por que as plantas em torno da árvore morreram, por que os pássaros desapareceram e por que a árvore continuava tão resistente.
“Troquei o machado por outro idêntico, mas ruim. Os pássaros sumiram porque eles o viram assim como eu te vi. Não importa se tem um machado bem afiado ou não. Eles não precisam avaliar a eficácia de nossas armas, só precisam ver o que queremos com elas.”
“Mas e as plantas em volta?” “Pra acertar todos os dias um golpe na árvore, você as esmagava com sua sola. Ia de um lado para o outro procurando o melhor ângulo, pisoteando tudo que havia no entorno.” “Pai, mas por que o senhor trocou o machado?”
“Quer saber mesmo?” “Sim…” “Bom, guarde o machado por uma semana e veja o que acontece.” Em menos de dez dias, já havia um ninho de bem-te-vi e três maritacas brincando entre os galhos. “O que aconteceu, pai?” “Intenção, é o que leva e o que traz.”
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