O deputado federal Nelson Barbudo (PSL-MT) protocolou ontem (9) um projeto de lei em que defende a criação de “galos de combate” das raças mura, shamo, sumatra, asil e outras.
Ele alega que o objetivo é a preservação genética. “Fica autorizada a criação, o manejo e a exposição das aves domésticas de combate”, destaca no PL 2507/2021.
Vale lembrar que essas espécies costumam ser utilizadas em rinhas. “Inicialmente, em virtude da característica belicosa nata dos machos da espécie, a domesticação dessas aves teria ocorrido com a finalidade de entretenimento, proporcionada pelas brigas de galo”, frisa Barbudo na proposta.
O deputado demonstra não ver problema em rinhas de galos quando diz que “é importante destacar que a criação de galos combatentes com o propósito de entretenimento é prática cultural difundida desde a antiguidade, na Ásia, África e Europa. No Brasil, as primeiras aves domésticas de combate foram introduzidas logo no início do processo de colonização.”
Ou seja, parece valer-se da história para não reconhecer que rinhas são baseadas em crueldade contra animais. Nelson Barbudo sustenta no PL que há um ambiente de insegurança jurídica para a “prática do galismo”, o que segundo ele, pode levar à extinção as “aves domésticas de combate”.
Barbudo também defende que esses animais “são uma fonte valiosa de variabilidade genética para o aperfeiçoamento de raças domésticas usadas na produção de carne e ovos, assim como pesquisa e desenvolvimento de medicamentos”.
No Congresso, outro defensor da criação de “galos de combate” é o senador Telmário Mota (Pros-RR), autor do Projeto de Lei 1037/2020, que diz que o objetivo é regulamentar a criação, manejo e exposição de galos da raça mura.
“Os galos e galinhas domésticas descendem de aves selvagens chamadas galos-banquivas. São aves sociais, inquisitivas e inteligentes, que podem ser utilizadas até mesmo como animais de estimação”, acrescenta Nelson Barbudo, que mesmo reconhecendo essas características visa incentivar maior exploração econômica desses animais.
Vale lembrar que o deputado também é autor do PL 2876/2019, que proíbe o uso do termo carne em referência a produtos de origem vegetal – como as carnes vegetais.
Nelson Barbudo também é autor do PL 2877/2019, que propõe maior apoio para a pesca esportiva no Brasil por meio de alterações na lei de Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura e da Pesca.
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