Mais um bezerro, mais uma separação. O que uma vaca pode fazer? Correu e perdeu. Arrebentou uma cerca que já não era boa e continuou. Caminhão já ia longe, levando os rejeitados, com olhos grandes, assustados e tufos salientes sobre o topo.
Sangue quente num dia quente esfriaria. Como vencer? Corpos infantis chacoalhavam no assoalho velho de madeira. Cena se repetiu tantas vezes que inexistia olhar de surpresa. Sempre tinha dois ou três prontos para o recolhimento.
Quando o veículo sumiu, mugiu por minutos, elevando a cabeça. Corpo tremia. Peões cercaram, laçaram e levaram de volta. Lamento atravessou a noite. Pela manhã, só silêncio. Não encontraram onde a deixaram. Percorreram a fazenda e nada.
À tarde, alguém disse que avistou uma vaca encostada num painel na rodovia que exibia um bezerro sozinho no campo. Parou ali e ficou. Resistiu a voltar e perdeu. Fugiu mais uma vez. Painel de novo e matadouro no dia seguinte. “Por teimosia.”
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