Fico surpreso quando vejo veganos demonizando o consumo de soja, associando-o ao desmatamento, ao impacto ambiental, e tentando fazer outras pessoas acreditarem que consumir soja é “apoiar a monocultura”. A soja não seria a grande monocultura que é se não fosse pela pecuária.
Até mesmo o surgimento da soja transgênica (assim como do milho transgênico) é indissociável da pecuária, porque são grãos produzidos prioritariamente para esse fim, o que significa uma gigantesca demanda, não para alimentar humanos.
Logo o consumo direto humano é secundarizado nessa grande cadeia de produção. Não reconhecer isso é ignorar que 79% da produção de soja é destinado à nutrição de animais criados para fins alimentícios (WWF-Brasil).
Não teríamos tantas áreas de cultivo de soja no Brasil se não fosse para alimentar dezenas de bilhões de animais por ano – tanto no Brasil quanto em outros países, enquanto a população humana brasileira hoje é de pouco mais de 203 milhões (IBGE).
Lembre-se que o Brasil é o maior exportador de soja do mundo (Embrapa), tendo grande contribuição na nutrição de animais utilizados na pecuária também em outros países e continentes, o que também influencia sua grande produção e torna importante pensar que o consumo de produtos de origem animal não só no Brasil, como em outros países, também desempenha papel importante nessa consideração.
Não há nada que justifique associar o avanço do desmatamento em importantes biomas e o impacto ambiental da produção de soja com o consumo humano, a não ser com relação aos produtos de origem animal. Não há nada que justifique tentar fazer as pessoas sentirem-se culpadas por consumirem soja ou produtos derivados de soja.
Além disso, é um grande equívoco também porque a soja é uma fonte de proteína barata e acessível para consumo humano, e uma aliada na mudança de hábitos alimentares, tendo diversas possibilidades de aplicação e custo bem menor do que de proteínas animais como a carne.
Leia também o meu artigo “Como a produção de soja é financiada por quem come carne”.
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