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59,9% de área perdida no Pantanal vira pasto

Gado tentando fugir do fogo no Pantanal (Foto: Dida Sampaio/Estadão)

Não é por acaso a associação dos incêndios no Pantanal com atividades agropecuárias, que são majoritárias no bioma pantaneiro.

Afinal, por tradição surgem a partir do desmatamento seguido por queimadas que, nas condições propícias de tempo e clima, como períodos de estiagens, facilmente podem se transformar em incêndios florestais de grandes proporções como esses que acompanhamos na atualidade; e que vêm castigando tanto a fauna como a flora.

Nem mesmo é possível quantificar hoje quantos animais silvestres já foram atingidos pelo fogo – seja em relação à perda de habitat, ferimentos e mortes. As estimativas mais próximas quantificam números de espécies atingidas, mas não de indivíduos.

Até porque as ações de combate ao fogo e resgate de animais têm partido de várias frentes, e as mais eficazes em amparo à fauna não seriam possíveis sem o trabalho de algumas ONGs que estão no Pantanal desde agosto.

Por outro lado, o que reforça o impacto da agropecuária e também a coloca na berlinda como principal agravante dessa crise ambiental que vivemos hoje é que 59,9% da área perdida no Pantanal foi transformada em pasto em 18 anos. Ou seja, basicamente a criação de gado é o que mais motivou e ainda motiva o desmatamento na região.

O preço da agropecuária no Pantanal

“A maioria (59,9%) das alterações verificadas, a partir de 2010, corresponde a conversões para pastagem com manejo sobre áreas naturais campestres”, reforça o IBGE.

Em consequência da displicência e ineficiência ambiental, hoje estamos diante de um cenário de 23 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa devastados pelo fogo, o que surpreende mais ainda considerando que, segundo o IBGE, de 2000 a 2018 o Pantanal foi o bioma que apresentou menores decréscimos de áreas naturais – 2,1 mil quilômetros quadrados.

Apenas em setembro (que ainda não terminou) já foram identificados 6.048 pontos de incêndios, o que, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, já representa o maior número mensal de focos de queimadas registrados na história do Inpe.

Em síntese, o maior estrago provocado por atividades agropecuárias no Pantanal pode não ter surgido antes, mas e agora? O preço do descaso já ultrapassa perda de 20% da vegetação do Pantanal para o fogo.

Repórter Brasil

De acordo com a ONG Repórter Brasil, com base em dados do Instituto Centro de Vida, parte do fogo que devasta o Pantanal teve início em cinco fazendas de pecuaristas que comercializam gado para o grupo Amaggi, do ex-ministro e ex-senador Blairo Maggi, e para o grupo Bom Futuro, de Eraí Maggi, considerado o maior produtor de soja do mundo. “Esses dois grupos empresariais, por sua vez, são fornecedores das gigantes multinacionais JBS, Marfrig e Minerva.”

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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  • Tem coisas que nem Deus perdoa e esse crime daí é um deles. Essas crianças brincando com fogo, derrubando ninhos e matando os animais, sem derramar uma lágrima sequer, tá mais do que na cara: não são os filhos DELE.

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