Alimentos ganham novo selo de “bem-estar animal”, mas isso é só mais um engodo

Se são produtos que dependem de condicionamento e exploração animal ou da morte de animais, como falar em “produção do bem”?

Há bem-estar na morte precoce de uma criatura que contra a sua vontade é reduzida a pedaços de carne? (Fotos: Produtor do Bem/PETA)

Nos próximos dias, consumidores que forem aos supermercados de São Paulo vão encontrar alimentos de origem animal com o selo “Produtor do Bem”, que supostamente identifica alimentos que são produzidos respeitando normas e regras de “bem-estar animal”.

Ou seja, induzem o consumidor a crer que não resultam da exploração animal, mas sim de uma produção “com ética, com respeito ao bem-estar animal, e próxima de como o animal viveria em seu ambiente natural”, argumentam os idealizadores do selo.

Mas se são produtos que dependem de condicionamento e exploração animal ou da morte de animais, como falar em “produção do bem”? Se você cria galinhas geneticamente modificadas para produzirem mais de 300 ovos por ano, o que já é antinatural, ou se viola a intimidade de uma vaca para mantê-la em lactação, produzindo leite, como isso pode se enquadrar em “bem-estar animal”?

Até mesmo as chamadas “vacas felizes”, que são criadas com mais espaço, acabam nos matadouros após a queda da produção leiteira, assim como as “galinhas felizes” que já não atendem às expectativas da granja.

Não conheço produtor ou empresa que crie animais que já não podem gerar lucro. Quando isso acontece, pesa-se custo/benefício e o destino comum é o matadouro. Como falar em “bem-estar animal” e “respeito aos animais” no momento do abate?

Há bem-estar na morte precoce de uma criatura que contra a sua vontade é reduzida a pedaços de carne? Diante da iminência da violência, um animal jamais há de se oferecer para receber um golpe mortal, tenha sido bem alimentado ou não.

Grandes supermercados brasileiros têm alardeado que vão deixar de comprar de produtores que não adotem o selo de compromisso com o “bem-estar animal” até 2025. Essa é uma preocupação que na realidade está mais alinhada a um afago na consciência do consumidor, que ao saber que um animal “não foi explorado ou morto da pior forma possível”, sente-se em paz com a própria consciência.

Eu já analiso de outra forma. Me coloco no lugar do animal e imagino alguém questionando: “Você pode levar uma marretada na cabeça ou uma injeção letal, qual você vai querer?” A minha resposta seria: “Nenhuma!”

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