Esta semana, inúmeros sobreviventes relataram que antes do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG), animais como bovinos, aves e cães começaram a agir de forma estranha.
Em entrevista ao UOL, o professor de zoologia e comportamento animal da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Carlos Alberts explicou que os movimentos gerados pelo rompimento da barragem emitem infrassons ou sons extremamente baixos que vibram em uma frequência que o ouvido humano não consegue captar.
“A barragem não rompe de uma vez só. Ela tem movimentos anteriores ao rompimento completo”, explicou. Segundo Alberts, o que também pode ter influenciado a percepção dos animais foi o contato direto das patas ou dos pés com a terra.
“A galinha é uma ave, pode ter notado a mudança do ar. As massas de ar são deslocadas quando a barragem é rompida. Também podem notar modificações de cheiro. Elas são muito sensíveis e dependem de perceber essas coisas para sobreviver. Os animais não erram, eles percebem antes da gente”, enfatizou o professor ao UOL.
Quem também endossou a justificativa de Carlos Alberts foi o sondador Lieuzo Luis dos Santos em entrevista à TV Globo. O sobrevivente relatou que não ouviu nenhum som antes do rompimento da barragem, mas percebeu que bois e vacas correram antes que o chão abrisse.
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