Venda invisível nos olhos. Mastiga coxas de frango com muito prazer. Quase engasga. Não ouve choques, golpes, degola, sangria, evisceração, resfriamento, corte de ossos. Nada de incômodo, só conforto.
A boca é mais barulhenta e silencia o que está fora. “Basta querer que os ouvidos ficam amarrados à boca.” Rítmica da desconsideração. Quando o sangue espirra sobre a cabeça e o bicho berra, não importa. “Não dói em mim.”
No direito de não ver, mastiga enquanto o dorso de um boi já sem cabeça se debate roçando na mão. Tira uma fatia grossa com a faca e reclama que está mal passada. Cospe no lixo. “Ponto ruim! Isso prejudica muito meu apetite.”
Apetência não cessa e os bichos vão se amontoando ao redor, caindo dos grilhões. Cozinha vira piscina de sangue. Sem ver, não faz diferença. Começa a nadar, monta em cima de um porco boiando com a cabeça para baixo e salta sobre uma mesa mais alta.
“Que fome!” Pega algumas fatias de presunto, enrola e continua comendo enquanto o suíno com a perna esfolada solta um gemido e desaparece em meio ao sangue. Quem vê? Quem ouve? Amanhã tem mais, sempre tem…
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