No Brasil, mesmo que você não seja um consumidor de carne, isso não significa que o seu dinheiro não está sendo usado na produção de carne. Mas como isso é possível? Por meio do governo, e não se trata de prática recente ou exclusiva da atual gestão.
É também a partir da arrecadação com impostos que o governo está disponibilizando, por exemplo, no período 2020/2021, um valor de R$ 236,3 bilhões em crédito para o agronegócio, beneficiando principalmente a grande produção agropecuária.
Você sendo vegano ou vegetariano, e independente de sua vontade, o dinheiro dos impostos que você paga podem estar sendo utilizados agora mesmo por agropecuaristas para ampliarem rebanhos e terras para criação de gado, reformarem pastos, produzirem mais grãos para alimentar animais que serão abatidos e, claro, aumentarem a disponibilidade de carne no mercado.
A agropecuária continua sendo prioridade para o governo em relação às ofertas de crédito. Ainda que tantos recursos sejam destinados ao segmento, e com destaque aos maiores produtores, vale lembrar que o grande agronegócio é acusado de pouco contribuir com a arrecadação de impostos no país.
Um exemplo disso está no livro “Direitos Humanos no Brasil 2020 – Relatório da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos”, lançado em 2020 por Marcelo Carneiro Novaes e Thomas Ferreira Jensen.
Eles denunciam que em 2019 as vendas internacionais do agronegócio garantiram ao Brasil poucos milhares de reais em impostos sobre exportação. A revelação está no artigo “Agrotóxicos, capital financeiro e isenções tributárias”, que integra o livro.
“As exportações do agronegócio brasileiro alcançaram a cifra de 96 bilhões de dólares em 2019 e a arrecadação de imposto de exportação foi de 16 mil reais. Enquanto isso, a Argentina, maior produtor e exportador de farelo de soja do mundo, cobra 30% de imposto de exportação dos produtores locais”, frisam Novaes e Jensen na página 61 do livro.
Vale ressaltar que o valor de 96,85 bilhões de dólares com as exportações do agronegócio em 2019 foi liderado pelo grande segmento agropecuário, que foi o mais beneficiado pela baixa tributação sobre exportações.
Mesmo com a pandemia de covid-19 em 2020, o total de exportações do agronegócio subiu para 100,81 bilhões – e superávit de 87,76 bilhões de dólares em 2020 e 83,08 bilhões em 2019, segundo dados da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Considerando essa realidade e valores, não é difícil perceber porque o desmatamento em biomas brasileiros como Amazônia e Cerrado estão aumentando, não diminuindo, já que os benefícios econômicos são motivadores para os grandes produtores que também são os que mais ignoram as implicações ambientais e impactos sociais.
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