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Comercial de Natal romantiza a matança de animais

Um comercial de Natal do chester comercializado pela Perdigão serve para uma reflexão sobre a invisibilização dos animais mortos para consumo. Contraditório, o comercial traz uma mensagem sobre a vida. Uma mulher anuncia ao pai, vestido de Papai Noel, o nascimento de gêmeos e todos celebram enquanto despedaçam um chester. Há troca de afetos, sorrisos e harmonia.

A presença do chester na mesa, que não seria possível sem violência, não é percebida como antagônica, e embora o comercial seja sobre o chester, ele ocupa posição secundária nesse cenário, mesmo que sua importância como não vida esteja em evidência.

O objetivo é fazer com que as pessoas comprem o chester para que tenham uma experiência como a da família fictícia do comercial. Consumir o chester então seria também reproduzir essa experiência.

Isso reforça a crença de que os animais têm um papel secundário também em relação à própria vida. O chester, quando macho, é morto com 50 dias; quando fêmea, com 35 dias. O comercial natalino apresenta a celebração da vida humana, de um porvir, com a morte precoce de animais criados “especialmente” para esta época para que sejam degolados aos milhões.

O comercial, é óbvio, também não traz a informação sobre como deve ser doloroso para um chester ganhar cinco quilos em menos de dois meses. No prato dos brasileiros desde 1982, o chester ainda é uma criatura desconhecida para muitas pessoas que o comem e não questionam os custos para o animal da imposição de viver para essa finalidade.

Há mais de 40 anos, o chester é referenciado como o animal não sendo o seu próprio, vivendo em estado de indefinição e impropriedade de si: “Chester é um animal, mas não é uma espécie diferente de ave, como o peru ou o avestruz”, informa a Perdigão sobre a ave geneticamente modificada.

É como se o chester não fosse real, a não ser na forma em que chega ao prato de tanta gente. Nos comentários sobre o comercial, as pessoas falam apenas sobre a “emoção” do que é anunciado de “filha para pai”. Revelam-se emocionadas, e o chester, há não muito degolado, continua invisibilizado, antes e depois de mastigado.

Leia também “Sobre o Natal e a violência no prato“, “O Natal e a violência na mesa” e “Comerciais de carne são bons em vender as mentiras que desejamos“.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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  • Como nos comerciais de leite em pó: tudo ali encenado para que se transmita uma ideia de cuidado, carinho e proteção.

    Tudo o que as mães donas do leite e seus filhotes jamais sentem na indústria.

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