Muitas pessoas que repudiam o uso de casacos de pele não veem problema em usar couro, que é resultante do abate de animais. Afinal, a produção de couro, normalmente um subproduto da indústria da carne, também contribui com a matança de pelo menos um bilhão de animais ao ano, de acordo com dados da organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA). Além disso, gera impacto ambiental a partir da criação de animais e/ou da utilização de agentes químicos também nocivos à saúde no processo de curtimento.
Antes do couro ser transformado em cintos e bolsas, esses animais enfrentam todos os horrores da agropecuária, incluindo a última e aterradora viagem com destino ao matadouro. Entre as principais vítimas estão bois e vacas, mas também bezerros, porcos, cavalos, bodes, cabras, ovelhas, carneiros, etc.
E se a matéria-prima for importada, por exemplo, pode ser que um produto que chegue às mãos do consumidor seja proveniente de couro de cachorro, de gato ou de coelho se no país de origem a prática não for proibida e combatida.
“Investigações já revelaram abusos terríveis envolvendo a indústria de couro na China e na Índia, duas das três principais nações que produzem couro no mundo”, diz a PETA, acrescentando que a China está em primeiro lugar em volume de produção mundial.
“Mesmo que as vacas sejam os animais mais sagrados da Índia, ainda são rotineiramente mortas para extração de couro. Como é ilegal matar vacas jovens e saudáveis na maioria dos estados da Índia, acontece de serem envenenadas ou aleijadas para que possam ser declaradas ‘aptas’ ao abate.”
Além disso, como a produção de couro não é considerada segura ao meio ambiente e à saúde humana, os Estados Unidos e alguns países da Europa há muito têm transferido suas operações para nações em desenvolvimento, onde há mais negligência em relação ao tratamento cruel dispensado aos animais e ao impacto ambiental dessas atividades.
Em Bangladesh, por exemplo, um dos destinos preferidos de inúmeras marcas que utilizam couro, a PETA Alemanha descobriu que no pobre bairro de Hazaribagh, em Daca, 15 mil trabalhadores, incluindo crianças com menos de dez anos, trabalham em mais de 200 curtumes.
No local, os funcionários lidam com efluentes tóxicos de cromo, ácidos e alvejantes que podem causar doenças crônicas e até câncer, além do impacto ambiental do descarte de resíduos. Cerca de 90% dos trabalhadores nesses curtumes morrem antes dos 50 anos.
O cromo, que é muito utilizado para curtir o couro dá origem ao cromo hexavalente, que é considerado um agente com potencial cancerígeno. E isso não apenas em Bangladesh. Esse risco também foi notado em curtumes na Suécia e na Itália, segundo a PETA, o que significa que o melhor a se fazer é abdicar do uso de couro.
Em 2019, em oposição à exploração animal, o piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton pediu que seus mais de 14 milhões de seguidores no Instagram deixem de comprar produtos com couro. A mensagem foi enviada acompanhada de um vídeo da PETA que mostra a triste realidade por trás da produção de couro.
“Acordei me sentindo bem hoje, mas isso acabou com o meu espírito. Isso é tão gráfico, tão bárbaro. Ela [a vaca] está estremecendo por causa da dor de ser esmagada com uma marreta. Ela ainda estava se mexendo quando a esfaquearam. Seu couro agora está lá fora em algum lugar, provavelmente transformado em cinto ou jaqueta. Sua vida valia mais do que uma peça de roupa – por favor, nunca compre couro”, pediu.
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