O Dia Mundial do Veganismo celebrado nesta sexta-feira (1) é marcado por manifestações e eventos em várias partes do mundo. Para quem é vegano, a data é uma boa oportunidade de mostrar o crescimento do movimento. Já para quem não é, surge uma chance de conhecer e aprender um pouquinho sobre essa filosofia de vida em oposição à exploração animal.
Mas será realmente que o veganismo está crescendo? Hoje, mais do que em qualquer período da história, é bem mais fácil encontrar pessoas que, se não são veganas, pelo menos conhecem alguém que seja ou que já ouviram falar a respeito. E sem dúvida isso já é um indicativo de um crescimento, se compararmos, por exemplo, com a realidade de 20 ou até mesmo 10 anos atrás, já que pesquisas e reportagens indicam que o veganismo começou a crescer de forma mais evidente nos últimos cinco anos.
E o que tem contribuído pra isso? Diversos fatores como acesso à informação, produção e disponibilização de documentários, mais ativismo e conscientização, além do crescente desenvolvimento de produtos sem ingredientes de origem animal e livre de testes em animais.
Em síntese, com maior disponibilidade em diferentes esferas, que vão desde a informação até o consumo, muitas pessoas sentem-se mais motivadas a fazer uma transição para o veganismo, porque isso mostra que ser vegano está mais próximo delas do que imaginam. E como seres humanos são motivados por fatores diversos, quando se abre um grande leque de possibilidades, as chances de alguém considerar uma vida vegana aumentam exponencialmente.
E como reflexo dessas facilidades, a The Vegan Society, que instituiu o Dia Mundial do Veganismo em 1994, na data de comemoração dos seus 50 anos, revelou em sua pesquisa mais recente que o número de veganos tem dobrado a cada dois anos desde 2014.
Em 2018, só no Reino Unido, o total de veganos chegou a 600 mil, superando de longe os 300 mil de 2016. Nos Estados Unidos, 1% da população se identificava como vegana em 2014, e em 2017 o número já havia subido para 6%, segundo informações da GlobalData. Já uma pesquisa da HealthFocus informou que a demanda por produtos veganos já corresponde a 17% da população dos Estados Unidos.
No Brasil, o Ibope Inteligência revelou em 2018 que 14% da população se identifica como vegetariana, o que corresponde a 30 milhões de pessoas; e que cerca de cinco milhões se identificam como veganas, de acordo com a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB).
E como reflexo desse aumento, há uma estimativa de que o mercado brasileiro de produtos veganos tem crescido 40% ao ano. Uma pesquisa realizada pela Mintel apontou que o Brasil é o sexto país que mais lançou produtos veganos entre junho de 2017 e julho de 2018.
A posição é dividida com outras nações que estão vivenciando a emergência do veganismo, como Canadá, Austrália, Itália e Áustria. Ponderando que até a década passada, quando se falava em produtos para veganos, o mercado se restringia mais ao Reino Unido e Estados Unidos, o aumento da demanda no Brasil e em outros países acaba por ser um reflexo do crescimento do veganismo.
The Economist: 2019 é o ano do veganismo
O The Economist já havia antecipado no final de 2018, em seu site “The World in 2019”, que aborda e discute tendências e projeções, que 2019 seria o ano do veganismo, prevendo um crescimento jamais visto nos anos anteriores em relação à popularidade e adesão de uma filosofia de vida que rejeita o uso e consumo de produtos de origem animal.
A publicação inglesa informou que tudo indica um “maior interesse em um modo de vida em que as pessoas evitam não apenas carne e couro, mas todos os produtos de origem animal, incluindo ovos, lã e seda”. E como consequência disso, o mercado já está se adaptando para atender essa nova realidade.
Se as ‘carnes’ à base de vegetais decolarem, poderão se transformar em uma tecnologia transformadora, melhorando a dieta rica em proteínas dos ocidentais, reduzindo a pegada ambiental da pecuária e talvez até reduzindo o custo dos alimentos nos países pobres”, analisou a publicação inglesa.
Vale lembrar que o mercado global de alternativas à carne como tofu, proteína texturizada de soja (PTS), tempeh, seitan e quorn (proteína à base de fungos) deve crescer mais de 100% até 2027.
Isso é o que mostra um relatório divulgado em setembro pela empresa de pesquisa de mercado Research And Markets, que aponta que dos atuais 4,4 bilhões de dólares movimentados pelo setor em 2018 a previsão é de que o mercado chegue a 9,1 bilhões de dólares até 2027 – com taxa de crescimento anual composta de 8,4%.
A pesquisa cita a crescente preferência por uma “dieta vegana”, o que tem ajudado na expansão do mercado. Preocupação com o bem-estar animal, com o meio ambiente e com a saúde são destacados como fatores determinantes na mudança de hábito dos consumidores.
The Guardian: a cada semana uma manchete sobre veganismo
Outro veículo que também tem destacado o potencial do veganismo é o jornal britânico The Guardian, que desde o ano passado, e a cada semana, tem publicado pelo menos uma manchete sobre o assunto.
“Os produtos veganos estão ficando muito melhores e está se tornando muito mais conveniente ter uma saborosa dieta baseada em vegetais”, enfatizou o veículo que em várias ocasiões, e desde 2018, tem promovido estudos sobre o custo ambiental do consumo de alimentos de origem animal, assim como o aumento muito superior aos anos anteriores de novos produtos para veganos.
O jornal se tornou um dos maiores promotores de uma pesquisa da Universidade de Oxford liderada pelo pesquisador Joseph Poore, que defende que uma dieta vegana é provavelmente a melhor maneira de reduzir o impacto humano no planeta, não apenas por causa dos gases do efeito estufa, mas também por causa da acidificação global e eutrofização, além do uso de terra e água – lembrando ainda que 80% das áreas agrícolas do mundo são destinadas à criação e alimentação de animais para consumo.
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