Categorias: Pequenas Narrativas

Cruel fim de um cordeiro para o Natal

Um menino observou um cordeiro que levaram para o quintal. Quis conhecê-lo. Pensou nele como alguém. Perguntou o nome. Não responderam. O cordeiro ficou amarrado a uma árvore. Quis tirá-lo de lá, soltá-lo, passear com ele.

Achou que sua curiosidade sobre o cordeiro era como a curiosidade do cordeiro sobre ele. Contou pra mãe. Ela sorriu, breve, e mais nada. Depois ele assistiu o cordeiro esfregando os pés na terra. Fez como o cordeiro.

Imitou outros movimentos. Pensou que ajudaria o cordeiro a não se sentir sozinho. “Acho que vão soltar você daqui a pouco”, disse. Sorriu tentando imaginar um sorriso do cordeiro. “Como seria? O que faz um cordeiro sorrir?”

Inventaram uma desculpa para afastá-lo do cordeiro. Quando voltou para casa, não viu mais o cordeiro. Encontrou sangue na corda, molhado e seco. Queria que vissem o cordeiro que ele viu. Só teve certeza que ninguém mais viu.

Leia também “Sobre a crueldade de comer cordeiro no Natal“, “Nunca mais comeu peru no Natal” e “A miséria dos animais no Natal“.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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  • Triste demais… é um desafio manter a saúde mental sabendo do genocídio animal que ocorre todo dia, em todos os cantos do mundo. Estamos tão longe de ver um mundo livre de crueldade… é desolador. Obrigada pelo conteúdo ♥️👏

  • É muito difícil para nós que amamos os animais ver que esta crueldade machuca até às nossos crianças. Parece que ainda não caiu a ficha para essas pessoas que se alimenta deste triste sofrimento do animal. Os animais precisam da liberdade que nunca tiveram por causa da desumanidade humana.

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