Uma boa forma de ajudar a impedir o avanço do desmatamento, seja na Amazônia ou em outros biomas afetados pela agropecuária, é deixando de consumir alimentos de origem animal. Afinal, a atividade ocupa 2/3 de uma área de 750 mil quilômetros quadrados de desmatamento somente em território amazônico. Essas informações já foram divulgadas inclusive pelo Google no curta-metragem “Eu Sou Mudança – Consumo Consciente”, disponibilizado no YouTube.
Sendo assim, em grande parte, o desflorestamento é uma consequência natural da cadeia que envolve a demanda por esses produtos. Parece pouco? É uma área equivalente ao tamanho da Espanha, de acordo com o Google.
Além disso, o total da área desmatada na Amazônia já ultrapassou um milhão de quilômetros quadrados, segundo o artigo “Amazon Tipping Point”, publicado na revista Science Advances pelo professor Thomas Lovejoy, da George Mason University, dos EUA, e pelo coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas, Carlos Nobre.
Já o documentário “Sob a Pata do Boi”, que aborda o impacto da pecuária na Amazônia, informa que na década de 1970 a floresta estava intacta e a quantidade de gado equivalia a um décimo do rebanho da atualidade. Hoje, encontramos uma área que pode ser comparada à extensão territorial da França desmatada. Desse total, 66% transformada em pasto.
Saiba também que pelo menos 38% da carne consumida no Brasil é proveniente de áreas de desmatamento da Amazônia, segundo informações divulgadas pelo curta produzido pelo Google.
Então em vez de fazer apelos na internet em defesa da Amazônia e de outros biomas, que tal começar reduzindo o consumo de produtos de origem animal até abandonar completamente esses hábitos que não são essenciais à manutenção da vida?
Não seria uma boa atitude em defesa do meio ambiente em geral, considerando também o impacto da poluição gerada pela criação de gado e a emissão de gases do efeito estufa?
Quando falamos de desmatamento, ficar no discurso é improdutivo se nossas ações provam que na realidade ainda priorizamos o nosso paladar em detrimento do meio ambiente. Seria o mesmo que dizer algo como:
“As próximas gerações e os animais silvestres que se virem. Vou simplesmente aproveitar o máximo que posso, do jeito que eu quiser. É isso aí!” Ninguém desmata uma área por nada. Se isso acontece é porque há muitas pessoas comprando o que é produzido nessas áreas de desflorestamento.
É imprescindível pararmos com essa mania de atribuição de responsabilidades que parecem não ter nada a ver conosco, quando somos responsáveis diretos por muito do que acontece com o meio ambiente e com os animais.
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