Desmatamento da Amazônia dobrou em relação à média de 2009 a 2018

Além disso, 22% a mais de área florestal foi perdida em 2021 em comparação a 2020

Imagem: Amazônia em Chamas

Impactos climáticos extremos e alterações do clima, incluindo secas, tempestades, ondas de calor terrestres e marinhas e derretimento de geleiras estão afetando a região da América Latina e do Caribe, da Amazônia aos Andes.

Os dados são do estudo sobre a situação do clima na região, publicado pela Organização Meteorológica Mundial, OMM, em julho, e destaca os impactos do clima para ecossistemas, segurança alimentar e hídrica, saúde humana e pobreza.

De acordo com o relatório, as taxas de desmatamento na região foram as mais altas desde 2009, o que causa um impacto direto tanto para o meio ambiente quanto para a mitigação das mudanças climáticas.

Na América do Sul, a degradação da floresta amazônica é destacada como uma grande preocupação para a região, mas também para o clima global, especialmente pelo papel da floresta no ciclo do carbono.

Segundo o levantamento, o desmatamento na floresta amazônica brasileira dobrou em relação à média de 2009 a 2018. Além disso, 22% a mais de área florestal foi perdida em 2021 em comparação a 2020.

A OMM lembra que o último relatório do Ipcc mostra mudança nos padrões de precipitação, elevação das temperaturas e áreas passando por mudanças na frequência e gravidade de extremos climáticos, como chuvas fortes.

Com o aquecimento e o aumento da acidez dos oceanos Pacífico e Atlântico, um impacto maior deve ser visto na América Latina, ameaçando o abastecimento de alimentos e água.

O secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, explica que o levantamento mostra que riscos hidrometeorológicos, incluindo secas, ondas de calor, ondas de frio, ciclones tropicais e inundações, levaram à perda de centenas de vidas, danos graves à produção agrícola e infraestrutura, bem como deslocamento humano.

A análise do secretário-geral da OMM é confirmada pelo Escritório das Nações Unidas para Redução do Risco de Desastres, que registrou um total de 175 desastres durante o período 2020-2022.

Destes, 88% são de origem meteorológica, climatológica e hidrológica. Esses perigos foram responsáveis ​​por 40% das mortes registradas relacionadas a desastres e 71% das perdas econômicas.

Um exemplo citado pelo relatório são as inundações e deslizamentos de terra nos estados brasileiros da Bahia e Minas Gerais levaram a uma perda estimada de US$ 3,1 bilhões.

Petteri Taalas adiciona que o estudo indica que o aumento do nível do mar e o aquecimento dos oceanos continuem a afetar os meios de subsistência costeiros, além do turismo, saúde, alimentação, energia e segurança hídrica, particularmente em pequenas ilhas e países da América Central.

De acordo com Taalas, em muitas cidades andinas, o derretimento das geleiras representa a perda de uma fonte significativa de água doce, usada para uso doméstico, irrigação e energia hidrelétrica.

Segundo a OMM, as geleiras andinas perderam mais de 30% de sua área em menos de 50 anos. Algumas geleiras no Peru perderam mais de 50% de sua área.

Na avaliação do representante da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal), o agravamento das mudanças climáticas e os efeitos da pandemia não apenas impactaram a biodiversidade da região, mas também paralisaram décadas de progresso contra pobreza, insegurança alimentar e redução da desigualdade na região.

Outra análise do relatório é que a saúde e o bem-estar serão afetados negativamente, juntamente com os ecossistemas naturais. Partes do Brasil, América Central, Caribe e algumas partes do México provavelmente verão secas constantes, enquanto os impactos dos furacões podem aumentar na América Central e no Caribe.

Para Mario Cimoli, enfrentar esses desafios e seus impactos associados exigirá um esforço conjunto, com ações baseadas em ciência. Ele adiciona que o relatório é uma fonte crítica de informações científicas para a política climática e a tomada de decisões.

De acordo com os estudos da OMM, a tendência de aquecimento continuou em 2021 na América Latina e no Caribe. A taxa média de aumento ficou em torno de 0,2°C por década entre 1991 e 2021, comparado a 0,1°C a cada 10 anos entre 1961 e 1990.

O estudo aponta que o nível do mar na região continuou a subir em um ritmo mais rápido do que globalmente, com destaque para a costa atlântica da América do Sul, no Atlântico Norte e no Golfo do México.

As análises apontam que a elevação do nível do mar ameaça uma grande proporção da população que está concentrada em áreas costeiras, contaminando aquíferos de água doce, erodindo as linhas costeiras, inundando áreas baixas e aumentando os riscos de tempestades.

A seca intensa na área central do Chile persistiu em 2021. Com 13 anos de duração, constitui a seca mais longa nesta região em mil anos, confirmando a tendência de seca e acelerando a crise hídrica no Chile.

Além disso, uma seca de vários anos na Bacia do rio Paraná e rio da Prata, a pior desde 1944, afetou o centro-sul do Brasil e partes do Paraguai e Bolívia. Segundo o relatório, os danos causados ​​pela escassez de chuvas reduziram a produção agrícola, incluindo soja e milho, afetando os mercados agrícolas globais.

Na América do Sul em geral, as condições de seca levaram a um declínio de 2,6% na safra de cereais 2020-2021 em comparação com a temporada anterior.

Já a temporada de furacões no Atlântico de 2021 teve o terceiro maior número de tempestades registradas. Foram 21, incluindo sete furacões, e foi a sexta temporada consecutiva acima do normal.

A insegurança alimentar atingiu um total de 7,7 milhares de pessoas na Guatemala, El Salvador e Nicarágua em 2021, causada pelos impactos contínuos dos furacões Eta e Iota, no final de 2020, e impactos econômicos da pandemia de Covid-19.

Outro efeito da mudança do clima são as migrações e deslocamentos. Segundo o estudo da OMM, Andes, nordeste do Brasil e países do norte da América Central estão entre as regiões mais afetadas pelo problema, fenômeno que aumentou nos últimos oito anos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here