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Empresa da JBS é exposta por crueldade na criação de frangos

No vídeo, animais aparecem agonizando e morrendo no chão dos aviários (Imagem: Animal Equality)

Uma investigação realizada pela organização Animal Equality em oito propriedades no Reino Unido está expondo a crueldade na criação de frangos. Os aviários são administrados pela Moy Park, uma das maiores produtoras de carne de frango do Reino Unido, e que pertence ao grupo brasileiro JBS.

Os frangos provenientes desses aviários em Lincolnshire e Nottinghamshire são abatidos para abastecer grandes redes como McDonald’s e Tesco.

Também chama atenção o fato de que os produtos da Moy Park contam com selo Red Tractor, que supostamente é uma garantia de produção que preza também por políticas de “bem-estar animal”.

Em uma filmagem com duração de cerca de três minutos, a Animal Equality mostra frangos vivendo em ambientes superlotados, com pouca possibilidade de circulação.

Também lembra que na natureza os galináceos vivem em pequenos bandos, de 12 ou menos indivíduos. O que significa que essa situação em um aviário é extremamente estressante.

30 mil aves amontoadas em um galpão

“Aqui temos 30 mil aves amontoadas em um galpão”, denuncia a organização no vídeo. “Foram criadas seletivamente ao longo do tempo para crescerem mais rápido, para que a indústria tenha mais carne para vender e mais dinheiro para ganhar. Isso tem consequências terríveis para os animais.”

No vídeo, animais aparecem agonizando e morrendo no chão dos aviários. “Eles podem ser vistos com falta de ar, seus corações e pulmões mal conseguindo lidar com a deformação de seus corpos enormes.”

Há frangos que aparecem com dificuldade para caminhar. Isso ocorre porque o desenvolvimento ósseo é desproporcional ao ganho de peso, incorrendo em sofrimento. Outros nem conseguem se levantar.

Animais pequenos morrem de desidratação e inanição

“Ficar sentado por semanas em um chão encharcado de urina faz com que algumas aves desenvolvam queimaduras vermelhas e dolorosas e bolhas em seus estômagos e pés sensíveis.”

A AE denuncia também que os bebedouros e comedouros são deixados em uma posição que se torna impossível para os animais que não crescem o suficiente consumirem água e ração, o que pode levá-los à morte por desidratação e inanição. “Essas aves são cruelmente privadas de suas necessidades básicas.”

A organização revela ainda no vídeo que animais pequenos demais, que se desenvolvem lentamente, podem ter seus pescoços quebrados para reduzir “custos na produção de frango”. Afinal, os investimentos são voltados somente àqueles com “grande potencial na indústria da carne”.

Esta não é a primeira vez que a JBS é associada a tais práticas. Clique aqui e saiba mais a respeito.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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