Categorias: NotíciasPolítica

Gineteada pode ser elevada a esporte

Para Nereu Crispim, os praticantes da gineteada são “atletas” (Fotos: Pixabay/Michel Jesus/Câmara)

A gineteada, prática em que alguém fica o maior tempo possível no “lombo de um animal considerado xucro ou que tenha sido mal domado”, pode ser elevada a esporte e patrimônio cultural imaterial do Brasil.

A proposta do deputado federal Nereu Crispim (PSD-RS) deve ser avaliada por três comissões da Câmara – Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Cultura e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

O PL 2335/2021 será analisado e votado em caráter conclusivo, o que significa que, se aprovado pela maioria dos membros das comissões, dependerá apenas da sanção do presidente para vigorar como lei, sem a necessidade de submetê-lo à votação no plenário da Câmara.

A justificativa para que a gineteada seja elevada a esporte, segundo Crispim, é que “é preciso contar com técnicas, ter bastante força nas pernas e muita concentração para garantir o equilíbrio no lombo do cavalo”.

Para o deputado, os praticantes da gineteada são “atletas”, embora a prática seja realizada sem o consentimento ou participação voluntária do animal. “Hoje em dia, os ginetes são atletas, treinados, os quais competem em alto nível”, alega.

Nereu Crispim defende alteração na Lei 13.364/2016 que, segundo ele, deve contar com a seguinte redação:

“Reconhece o rodeio, a vaquejada, a gineteada em bovinos e equinos, o laço, bem como as respectivas expressões artísticas e esportivas, como manifestações culturais nacionais; eleva essas atividades à condição de bens de natureza imaterial integrantes do patrimônio cultural brasileiro; e dispõe sobre as modalidades esportivas equestres tradicionais e sobre a proteção ao bem-estar animal.”

Sobre a elevação da gineteada a patrimônio cultural imaterial, o deputado sustenta que a prática “é a demonstração da lida da doma gaúcha junto com a habilidade do peão campeiro”. E continua: “Antigamente, a gineteada era praticada por vaqueiros e peões de estância, os quais se reuniam em um parador de rodeio, para cultuar a tradição brasileira.”

Gosta do trabalho da Vegazeta? Colabore realizando uma doação de qualquer valor clicando no botão abaixo: 

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

3 semanas ago

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal?

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal? Há…

1 mês ago

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos?

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos? Em 2024, o Brasil bateu…

1 mês ago

O consumo humano transforma animais em prisioneiros de seus próprios corpos

A prisão é o corpo: além do matadouro O consumo humano transforma animais em prisioneiros…

2 meses ago

Animais, pela ética do amor ou do cuidado?

Amor ou justiça: por que a ética do cuidado é mais eficaz A premissa de…

2 meses ago

Por que não é uma boa ideia usar o termo “feito de plantas”

Pode parecer coerente usar o termo “feito de plantas” em relação a alimentos ou pratos…

2 meses ago