Na terça-feira (4), o Dia Nacional do Rodeio, sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro (Partido Liberal) em 2019 por meio da Lei 13.922, será celebrado. A data é comemorada no Dia Mundial dos Animais.
A lei é resultado de uma proposta de um dos maiores apoiadores de Bolsonaro na Câmara dos Deputados, ou seja, Capitão Augusto (Partido Liberal-SP), que a sugeriu por meio do PL 6218/2016, que foi muito defendido no Senado por Wellington Fagundes (Partido Liberal-MT).
Ou seja, em 4 de outubro, data escolhida para discutir nossa relação com os animais, visando o aperfeiçoamento do respeito por outras espécies, o Dia do Rodeio é celebrado para ofuscar esse objetivo, associando os animais à instrumentalização, ao seu uso como entretenimento.
Além disso, propõe-se a fazer parecer que há uma estreita relação entre o Dia dos Animais e o Dia do Rodeio, como se o Dia do Rodeio também pudesse ser de consideração pelos animais – num processo de apropriação da data.
“Ao contrário do que muitas vezes é disseminado de forma equivocada na opinião pública, nos rodeios, o bem-estar animal está em primeiro lugar, os animais são tratados com todo cuidado e acompanhamento especializado, são o centro do evento, daí porque a escolha da data em que se comemora o Dia dos Animais para também celebrarmos essa grande manifestação da cultura brasileira”, consta como justificativa para a lei.
O Dia Nacional do Rodeio pode transmitir uma ideia de que trata-se apenas de uma “celebração”. No entanto, olhar para a data dessa forma é ignorar que enaltecer o uso de animais como entretenimento e incluí-lo no calendário oficial do país é fortalecer a realização dos rodeios e também usar o simbólico para combater sua oposição.
É perpetuar a crença de que os animais “estão onde deveriam estar”, ou seja, sendo submetidos a interesses que não são uma necessidade humana, mas uma forma diversa de violência, já que rodeio é sobre o exercício de domínio sobre outros animais.
Em 2019, já era previsível que a lei seria sancionada por Jair Bolsonaro, considerando seu apoio aos rodeios na campanha de 2018 durante a Festa do Peão em Barretos. E perto da eleição, no mês passado, Bolsonaro renovou o seu apoio.
Sobre isso, vale lembrar o que disse o presidente:
“Respeito todas as instituições, mas lealdade eu devo a vocês. O Brasil está acima de tudo. Neste momento em que muitos criticam a festa de peões e a vaquejada, quero dizer com muito orgulho que estou com vocês. Não existe politicamente correto. Existe o que precisa ser feito”, discursou.
Saiba Mais
No dia 17 de agosto de 2019, durante a Festa do Peão de Barretos, Bolsonaro assinou um decreto que deu ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) a responsabilidade de avaliar “os protocolos de bem-estar animal” elaborados por promotoras de rodeios.
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