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Grupo pacifista distribui comida vegana há 40 anos

“Queremos impedir a exploração não apenas de pessoas, mas também de animais” (Foto: Food Not Bombs)

Fundado nos EUA em 1980, o grupo pacifista Food Not Bombs já distribuiu comida vegana em 65 países, além de realizar manifestações em prol de justiça social e contra a guerra, o ódio, a pobreza e a degradação do meio ambiente.

“Queremos impedir a exploração não apenas de pessoas, mas também de animais. Como parte do nosso trabalho pela paz, não queremos apoiar a violência contra os animais”, explica o grupo.

O Food Not Bombs começou a servir refeições veganas em 28 de março de 1981, em frente ao Federal Reserve Bank de Boston, durante um protesto pelo fechamento da Usina Nuclear de Seabrook.

“Uma dieta à base de vegetais é importante para proteger o meio ambiente e uma forma importante de fornecer o máximo de alimentos com o mínimo impacto possível na Terra.”

Segundo o grupo, a iniciativa não tem líderes, e o objetivo é mostrar que é possível trabalhar de forma cooperativa por meio de esforços voluntários voltados às necessidades essenciais – como alimentação, moradia, educação e saúde.

“Uma dieta à base de vegetais é importante para proteger o meio ambiente e uma forma importante de fornecer o máximo de alimentos com o mínimo impacto possível na Terra” (Foto: Food Not Bombs)

Grupo já foi classificado como terrorista

Por sua bandeira, o Food Not Bombs já foi classificado pelo governo dos Estados Unidos como um grupo terrorista. Isso aconteceu, segundo o grupo, após seus membros serem presos por compartilharem refeições veganas no Golden Gate Park, em San Francisco, em 1988.

“Falamos que tínhamos o direito de alimentar os famintos em protesto contra a guerra e a pobreza. Eles estavam preocupados com o fato de podermos influenciar o público a perceber que nossos impostos podem ser gastos com necessidades humanas em vez da guerra, e que isso poderia ameaçar seus bilhões de dólares em lucros ao armar o governo dos Estados Unidos.”

Sua postura antiguerra começou a ser vista ainda nos anos 1980 como uma ameaça, percepção que, de acordo com o Food Not Bombs, não mudou tanto quanto deveria de lá pra cá. “Quando mais de um bilhão de pessoas passam fome todos os dias, como podemos gastar outro dólar em guerra?”, questiona.

O grupo explica que as refeições sem ingredientes de origem animal distribuídas aos necessitados são provenientes de doações e coletas de alimentos em bom estado, mas que já não podem ser vendidos em supermercados.

“Com cinquenta centavos de cada dólar dos impostos federais dos EUA indo para as forças armadas e 40% de nossos alimentos sendo descartados, enquanto tantas pessoas lutam para alimentar suas famílias, nos vimos na obrigação de inspirar o público a pressionar para que os gastos militares sejam redirecionados às necessidades humanas.”

Food Not Bombs começou a servir refeições veganas em 28 de março de 1981 (Foto: Food Not Bombs)

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David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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