Você já percebeu como a palavra “cativeiro” traz conceitos e significações diferentes dependendo do que falamos? Se você começa o desenvolvimento de um raciocínio falando em cativeiro e refere-se a um humano, antes de você fazer uma menção clara a um relato, as pessoas já o terão associado com um cenário de um refém, uma pobre vítima mantida em um lugar contra a sua vontade. Sendo assim, um ato imoral e criminoso.
Porém, quando falamos de animais criados para consumo, por exemplo, há uma superficialização da situação. Um não humano mantido em cativeiro é apenas um ser fora do seu habitat, o que na significação popular humana fundamentada na dissimulação remete somente a uma “ideia comum” de um “ambiente artificial”; o que para muita gente não é ruim, mas apenas diferente, logo tolerável, transigente – até porque a não experiência e a legitimação por força do hábito são elementos reforçadores.
Isso é o que o antropocentrismo e o especismo fazem com a nossa consciência. Notavelmente, suavizam realidades arrebatadoras de exploração, valendo-se não apenas da nossa ignorância ou insipiência, mas também da nossa predisposição em considerar o nosso benefício ou prazer não essencial acima dos interesses dos outros. Imagine como você se sentiria ao ser obrigado a viver em um cativeiro, sem que isso fosse considerado um ato criminoso.
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